Pascoal Naib


Entrei para as Testemunhas de Jeová na adolescência (meus 15 anos) e desde então vivi uma vida que em muitos momentos não era minha. Servi com sinceridade e amor uma organização que eu achava ser a correta. Me afastei de amigos e familiares e conforme aprendia sobre a "verdade" os substituía pelos novos irmãos de fé. Eu me desesperava em imaginar que não conseguiria salvar meus pais e parentes e enlouquecia como eles não podiam perceber que a "verdade" estava ali. Por que não enxergavam?

Passei a suprimir quaisquer dúvidas sobre qualquer assunto, pois minhas respostas viriam prontas nas publicações e revistas das Testemunhas de Jeová. Passei a não ter perspectiva de um futuro, pois ele logo seria destruído num Armagedom (guerra de Deus em que todos morrem menos as TJs). Passei anos me culpando , me remoendo e achando que nunca fazia o suficiente para Deus. Me afastei de todos meus familiares não TJs e onde era para eu encontrar amor só via um deserto de solidão e de cobranças.

Hoje estou livre e com a responsabilidade de mostrar a todos que querem sair que é possível ser feliz fora da Torre de Vigia. Minha liberdade para mim tornou-se uma meta de poder ajudar como fui ajudado. 

Não tenho mais a mínima necessidade de conforto ou ajuda na questão Torre de Vigia, mas minha alma arde se eu não puder retribuir isso para mais pessoas. Não sou santo e nem melhor que ninguém, apenas defini essa missão para mim. Não peço que me sigam, pois todos sabem quais caminhos podem e devem trilhar, mas eu vou continuar nessa luta!

Vejo aqui relatos dos mais emocionantes e vejo como muitos sofrem e agonizam dentro da Torre de Vigia. Muitos reféns de uma fé. Eu sofro junto, mas convido a reagirem. A dor pode ser dividida e se torna menos incômoda! Ao dividirmos a dor e ao sentirmos ela menos pesada convido novamente a outra situação. Lute com toda sua força para eliminar a fonte dessa dor. Muitos precisam de seu apoio nesse momento.