sábado, 13 de fevereiro de 2016

video


Mais um programa televisivo europeu entra na investigação contra casos de abusos sexuais na igreja das Testemunhas de Jeová. O programa italiano Le Iene é similar ao CQC brasileiro, ou seja, pauta também por denúncias sérias e polêmicas. 

O jornalista Luigi Pelazza desmascara o acobertamento de pedófilos na organização das Testemunhas de Jeová. Ele entrevista um ex-ancião que foi expulso por discordar das políticas para abusos sexuais da Torre de Vigia que orienta as congregações e seus líderes a não denunciar abusadores de crianças à polícia e resolver o assunto internamente. Pelazza chega a abordar anciãos e os pais de uma das vítimas na porta de um Salão do Reino, além de ter em mãos um vídeo de comissões judicativas onde jovens são julgados por "conduta imoral". Sem dúvida um vídeo chocante que você não pode deixar de assistir e compartilhar.

Vídeo no You Tube:



Créditos de parte do texto e vídeo ao colega Osmanito Torres.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2016




O que seria uma "Testemunha de Jeová Light"? 


Ela frequenta esporadicamente as reuniões mais no papel de um visitante, e, como visitante, observa toda a dinâmica do local interagindo muito pouco. 


Ela ouve os discursos, mas o tempo todo os questiona. Está presente, mas não se sente fazendo parte do todo. Discorda de alguns temas, principalmente de dogmas fechados. Seu questionamento é interior, solitário, sem ter para quem falar.

É uma pessoa que está no local, porém não se identifica com o todo. Até quando conversa com seus colegas de fé, sente que não há sintonia. Ela parece mais um expectador de tudo, que vê tudo na contra mão .

Olhar tudo na contra mão proporciona a ela uma visão diferente de tudo. Mas andar na contra mão é cansativo, pois você tem que desviar de tudo e de todos o tempo todo, senão você se choca literalmente. Quando passa por situações de enfrentamento, por exemplo: por que não é pioneiro, por que faz faculdade, por que viaja tanto, por que faltou à reunião, por que suas horas de campo estão baixas, ou seja, por que destoa tanto do resto? Ela tem que dar alguma resposta, que nem sempre é o que pensa de verdade.

Mas quando sai dos arredores da religião, se sente inteira, mais à vontade. Lá fora sim, ela é autêntica - ela se sente livre. Cansa driblar tanto o crente como o descrente, pois mesmo fora da religião tem que ficar atento, se equilibrando para não "dar bandeira" e destoar tanto do que se espera de uma clássica Testemunha de Jeová.

Ela tenta tanto se equilibrar nessas duas pontas, que se desgasta. Muitos passam a apresentar sintomas de ansiedade e de depressão - sentem falta de um interlocutor que os ouça sem moralismo. Com quem falar sobre essas duas pessoas que os habitam e que brigam entre si?

Por que uma pessoa, se torna uma "Testemunha de Jeová light" ?

Para poder continuar fazendo parte de algo com que não concorda plenamente, sem 'sair do armário' metaforicamente falando, pois se sair deste armário, vai ter que travestir uma outra roupagem bem diferente do que esperam que ela vista.

Tem pessoas que se casam com um concrente. Os membros de sua família imediata são todos Testemunhas de Jeová. Como esta pessoa vai se desligar da religião sem causar um grande desconforto a esta família? Ou até seu trabalho poderia ficar comprometido, pois todas as suas referências profissionais são irmãos de fé.

Ser light não necessariamente é ser leve, livre e sim um atalho para que ela possa continuar dentro, mas estando na beirada. Sem decidir categoricamente se continua na beirada, se vai para o meio ou se sai deste contexto todo.

Muitas Testemunhas de Jeová light na verdade preferiam ser mais crédulas, não tão críticas e analíticas. Seria muito mais cômodo não ter tantos questionamentos e simplesmente acreditar no que ouvem e se identificar com isso.

São pessoas críticas em tudo e obviamente vão ser no quesito religião. Mas, como não há espaço para questionamentos dentro da religião, elas padecem por serem diferentes da maioria, e vivem solitárias e amarguradas.

Para estes, o ser light se torna a única saída do momento. A pergunta que muitos se fazem é:

"Tem espaço para mim aqui dentro? Amo o nosso Deus mas, discordo de muitas coisas. Para onde eu vou então?"


Dr.BArilla


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sábado, 23 de janeiro de 2016


Para quem pensa que o filme “Spotlight: Segredos Revelados” se concentra no clichê de focar a dor das vítimas ou de “demonizar” a igreja Católica pelos abusos cometidos por seus sacerdotes, isso não acontece. Na realidade ele vai além e faz uma provocação para toda a sociedade: por que demoraram tanto para perceber?

Esse aspecto do filme dissolve o maniqueísmo latente. Denúncias contra padres e bispos haviam sido recebidas antes pelo "Globe" e registradas em notas despercebidas, quando não sumiram no buraco negro que existe em toda Redação, feito de falta de tempo, recursos, paciência e incentivo para quebrar o hábito. 

Recentemente outro grupo religioso está sendo denunciado por acobertar casos de abusos sexuais a crianças dentro das suas congregações: as Testemunhas de Jeová. O filme, voltado para a denúncia da omissão das lideranças da Igreja Católica, se aplica perfeitamente as Testemunhas de Jeová que já foram condenadas nos EUA, são investigadas em alguns países europeus e mais recentemente estão sendo julgadas na Austrália (Ver links no final do texto). 

Algo recorrente após surgir uma acusação tão séria é que existe uma grande confusão por parte dos adeptos, que na ânsia de defenderem sua religião, colocam os seguintes pontos como mais relevantes que a própria vítima:

1- A igreja se baseia na Bíblia e nunca iria “ensinar” ou permitir tal tipo de comportamento doentio e nocivo dentro de suas congregações.

2- Que são casos isolados, feitos por pessoas específicas e que serão repreendidas ou até mesmo expulsas, ou seja, quem está errando são pessoas imperfeitas e não a igreja que é perfeita.

Esse comportamento de “defesa” é perfeitamente compreensível, pois realmente a maioria dos fiéis não tem e nunca vai ter acesso aos bastidores burocráticos de sua igreja. Percebi isso quando fui assistir ao filme com minha namorada, que é católica. Uma das principais características dela é pautar sua vida em atitudes questionadoras e éticas, porém foi interessante notar uma reação instintiva e “defensiva” para com sua Igreja. Para ela o filme foi muito bom, mas “pesado” no sentido de mostrar uma realidade nua e crua, as entranhas de um “sagrado” que ela não tinha acesso e que balançava sua visão da igreja “perfeita”. Houve uma tentativa tímida, da parte dela, de citar o ponto 2 sobre as pessoas serem imperfeitas e a igreja perfeita.

Na realidade esse raciocínio aparentemente “inocente” acaba que mascarando a realidade, desrespeitando as vítimas e centrando todo o status de ÚNICO culpado na pessoa isolada que é o abusador. Isso precisa ser desconstruído. Na realidade, assim como na Igreja Católica, os casos de pedofilia praticados por Anciãos (equivalentes a pastores) dentro das congregações das Testemunhas de Jeová tem o mesmo enredo: os casos são deliberadamente abafados pelos superiores hierárquicos para que exista um acordo entre a família da vítima, violador e a igreja. Muitos adeptos não acreditam nisso e podem até dizer que estou inventando absurdos, mas observem o que é colocado oficialmente pelas Testemunhas de Jeová em suas publicações. Ocorrendo um caso de abuso sexual contra uma criança e a família decidir denunciar o caso as autoridades competentes, o que orienta as Testemunhas de Jeová? A revista A Sentinela 01/11/1995 pp. 28-29 diz:

E se a pessoa decidir fazer uma acusação formal? Nesse caso, os dois anciãos poderão lembrar-lhe que, em harmonia com o princípio em Mateus 18:15, ela deverá conversar pessoalmente com o acusado sobre o assunto. Se não estiver em condições emocionais de confrontar o acusado, poderá telefonar-lhe ou enviar-lhe uma carta. Assim ele tem a oportunidade de defender-se da acusação, perante Jeová. E pode até apresentar evidências de que é impossível que tenha cometido o abuso de que é acusado. Ou talvez confesse o erro e possa haver uma reconciliação, o que seria muito positivo! Se ele confessar a culpa, os dois anciãos poderão tratar do assunto em conformidade com os princípios bíblicos.

Percebam que não existe a intenção que essa denúncia saia dos muros da igreja. A intenção é fazer um "acordo" silenciando as vítimas e que o caso será resolvido ali na própria igreja. É colocado todo um peso na ideia de que o nome de Jeová e de sua organização perfeita (Torre de Vigia) vai ser manchado perante o mundo e que a justiça divina é mais importante que a justiça dos homens. Um completo caso de OMISSÃO e DESRESPEITO as vítimas. Mas, infelizmente não para por aqui. O que é necessário para a vítima conseguir que os Anciãos (equivalente a pastor) aceitem a denúncia de abuso sexual? A Revista A Sentinela continua:

Se o acusado negar a culpa, os anciãos deverão explicar a quem fez a acusação que nada mais poderá ser feito em termos judicativos. E a congregação continuará a considerar o acusado como inocente. A Bíblia diz que é preciso haver duas ou três testemunhas para que alguma ação judicativa seja tomada. (2 Coríntios 13:1; 1 Timóteo 5:19) Mesmo que mais de uma pessoa se “lembre” de ter sido abusada sexualmente pelo mesmo indivíduo, a natureza dessas lembranças, se não há outras evidências, é incerta demais para servir de base para decisões judicativas. Isso não significa que essas “recordações” sejam encaradas como falsas (ou como verdadeiras). Simplesmente os princípios bíblicos precisam ser acatados ao se resolver um assunto judicativamente.

Pode aparecer mais de uma vítima dizendo que foi molestada por uma pessoa dentro da igreja das Testemunhas de Jeová que eles não incentivarão a denunciar as autoridades competentes. Também não aceitarão a denúncia interna, pois necessitariam ter duas testemunhas (como se o abusador fizesse isso para uma platéia) para que o caso desse andamento dentro da burocracia da igreja. E o que resta para as crianças molestadas e as famílias dilaceradas e destruídas emocionalmente? As liderança das Testemunhas de Jeová informam hipocritamente na mesma revista citada acima:

E se o acusado — embora negue a transgressão — for realmente culpado? Será que ele vai “se livrar dessa”? De jeito nenhum! A questão de ele ser ou não culpado pode ficar, com toda a segurança, nas mãos de Jeová.

Ou seja, NUNCA um abusador dentro da denominação religiosa das Testemunhas de Jeová vai ser realmente denunciado. Some-se isso a dificuldade das vítimas de provarem para os Anciãos (equivalente a Pastor) que tal fato ocorreu realmente e ao constrangimento de ver sua denúncia cair no vazio. Estão abandonadas pelo simples fato que sua liderança visa mais a proteção da imagem da igreja perante a sociedade do que agir em nome das vítimas. 


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quinta-feira, 14 de janeiro de 2016



Começa aqui a série de artigos que profissionais da saúde irão abordar sobre questões psicológicas de Testemunhas de Jeová e ex-Testemunhas de Jeová. O nome dos profissionais serão resguardados por questões éticas, mas o chamaremos de Dr(a) Barella. Qualquer dúvida ou sugestão comentem abaixo ou enviem mensagem para pascoalreload@gmail.com

Atender no consultório várias pessoas que fazem parte de uma certa comunidade religiosa, faz o profissional da saúde mental ter um olhar bem íntimo com suas convicções, sua maneira de pensar e ser um expectador de situações que só os adeptos entendem.

Atendi muitas pessoas que embora educadas dentro da religião, em algum momento sentem-se aprisionadas, angustiadas, querendo ter o direito de optar por outras coisas, mas no íntimo travam uma luta muito angustiante entre desejar algo oposto ao que foram criados e ser o que esperavam que fossem. Colocarei no decorrer do texto alguns trechos de relatos de pacientes que fui pinçando. São vários casos para mostrar, não meu ponto de vista é obvio, mas como se sente a família do membro que quer se afastar e o que se afasta. 

Pense em alguém que foi educado, desde a tenra idade para seguir fielmente a mesma crença dos pais. Ele nasceu, foi muito amado e a demonstração deste amor parental é justamente fazer esta criança ser educada nos mesmos moldes, pois acreditam fielmente que é correto. Fazer este filho seguir a mesma fé, vai além de uma convicção: é visto como vida ou morte. Seguir o mesmo caminho simboliza viver eternamente e pensar diferente é ser destruído no Armagedom (destruição que pregam ser mundial). Os pais agem na melhor das intenções, são muito bem visto na comunidade que participam...a família toda compartilhando da mesma fé e falam a mesma ¨língua¨(Termo que mostra a igualdade de fé). O problema é quando você se sente diferente deles e não sabe como agir. Como mostrar que não comunga da mesma fé? Como não desapontá-los pensando diferente?

Você estudou todos os livros (se estuda vários livros e revistas pode até se sentir apto a ser um membro) participou desde bem novo das reuniões(reuniões semanais), mas hoje as coisas que ouve não fazem mais sentido. Você não acredita que ser ou não Testemunha de Jeová esteja relacionado com ser ou não sobrevivente deste mundo. Você quer participar de festas e eventos que eles não participam, mas você aprendeu a amar Jeová e sabe que Ele existe, mas agora tem uma questão séria lhe perturbando: como falar para meus pais (ou familiares) que não quero ser conhecida como uma Testemunha de Jeová? Como buscar a minha própria religião ou não buscar nada e apenas acreditar em Deus e ser uma boa pessoa?

¨Aprendi tudo diferente...aniversário é festa pagã, festas de fim de ano são demonstrações claras de paganismo, sobreviver agora para viver plenamente no futuro, priorizar a fé e não valorizar os estudos, casar somente no senhor, sexo após o casamento, amizades só com quem desfruta da mesma mentalidade cristã ...¨


¨Tudo isso vem a minha cabeça, mas ela se processou diferente de tudo isso...hoje acredito nas pessoas, quero ter amigos independente da religião, hoje quero ter árvore de natal, quero brindar por um ano quem sabe melhor, quero viver, quero estudar, progredir na vida, (me lembrei da metáfora do Titanic) hoje quero apenas viver sem culpa e não consigo.¨

Esses trechos foram de pacientes que ao longo dos atendimentos deixaram escapar como se fosse um grito, um grunhido vindo lá de dentro da alma. Dizem que dá medo até de expressar isso na terapia, pois seria uma apostasia querer algo diferente do que foram ensinados?(pensar diferente, questionar alguns dogmas é considerado apostasia, ou ato de rebelar-se contra aos ensinamentos) .

O que vejo são jovens, pessoas também maduras, que num momento da vida não se encaixam mais no formato que foram criados. É muito angustiante querer ficar na caixa não cabendo mais lá dentro. Ficar asfixiado e fingir que pode respirar tranquilamente. É muito solitário este processo de fingir dentro estando emocionalmente fora.

Os pais (ou familiares) por sua vez ficam perdidos, o que fiz de errado? Será que pressionei demais ou fui muito permissivo? Os pais sentem o livre-arbítrio de seu filho como uma grande demonstração de desamor.

O filho quer ter a dignidade de poder optar para onde ir e seus pais sentem impotentes diante do ir e vir de seu filho. Fora a repercussão dentro da congregação...agora todos olham para o Ancião (equivalente a um pastor) pai de família, um bom homem que sempre apostou no bem estar de todos, agora como alguém perdedor, incapaz de fazer seu próprio filho se tornar um concrente, ou seja, caso ele respeitar o livre arbítrio do filho, mostra para todos da congregação que ele é incapaz na sua própria casa. Sendo incapaz, ele perde o cargo de ancião. Aquele ser que tem como obrigação chamar as ovelhas perdidas e acolhê -las e não pode deixar que uma ovelha (seu filho) siga seu próprio percurso.

Alguns filhos sentem muita angústia, amam seus pais, mas não querem seguir algo que não lhe faz sentido. Como achar que a liberdade é seguir o mundo se o que é ensinado é oposto? Ter liberdade é encontrar ¨a verdade ¨e estar no mundo é que é ser cativo, aprisionado .

Como respeitar quem não consegue ficar no tamanho que dizem ser o certo?

Se encolher pelo resto da vida ou se alargar e sair da caixa e assumir o risco de não ser bem aceito pela família?

Não estou favorecendo nem ficar na caixa e nem sair dela ... favoreço o livre arbítrio sem culpa. Favoreço o amor pelo filho independente da sua escolha. Favoreço amar o próximo como a ti mesmo! Favoreço não pressionar este pai de família, olhando para este homem com desdém.

A dignidade de ter o livre arbítrio é algo muito profundo e que diminuiria a culpa dos que se afastam, ou que estão presentes, mas ausentes de alma, dentro das reuniões. Amar o próximo é respeitá-lo como um ser que deseja, que anseia, que tem medo, que olha para o céu e tem uma profunda admiração pelo SER Supremo !





terça-feira, 5 de janeiro de 2016


Ao assistir o filme "As Sufragistas" vi uma reação interessante no cinema: todas as mulheres se levantaram batendo palmas no final da sessão. 
Sobre o filme:

No início do século XX, após décadas de manifestações pacíficas, as mulheres ainda não possuem o direito de voto no Reino Unido. Um grupo militante decide coordenar atos de insubordinação, quebrando vidraças e explodindo caixas de correio, para chamar a atenção dos políticos locais à causa. Maud Watts (Carey Mulligan), sem formação política, descobre o movimento e passa a cooperar com as novas feministas. Ela enfrenta grande pressão da polícia e dos familiares para voltar ao lar e se sujeitar à opressão masculina, mas decide que o combate pela igualdade de direitos merece alguns sacrifícios.

Na realidade o filme não se concentra nos ideais feministas, mas na transformação de uma mulher simples, mãe dedicada e explorada por uma sociedade machista numa militante consciente de seus direitos que não eram respeitados. Percebi que por ser homem e viver numa sociedade de mentalidade machista algumas coisas do filme passam imperceptíveis para mim, mas não por insensibilidade ou "descaso" sobre a realidade feminina e sim porque eu nunca "sofri" com certas questões que para as mulheres são recorrentes e bem particulares.
E no mundo cristão, mais especificamente o mundo das Testemunhas de Jeová, o que as mulheres sofrem? Na realidade esse é um texto inicial e provocativo sobre o tema e gostaria muito de receber relatos de mulheres que sofrem desses abusos e excessos em nome da "fé". Lendo um texto de Denise Rangel ela cita e questiona com propriedade esse viés "cristão" machista:


Ao longo dos séculos, as mulheres têm sido alvo de injustiças, violência e opressão e muitas igrejas são responsáveis por tal situação, seja por participação direta ou por omissão, diante do tratamento desumano e cruel dado a tantas mulheres no mundo...É muito conveniente “pregar” que as posições de liderança e comando pertencem ao homem, e que o nosso “desejo é para o nosso marido e que ele nos dominará”, sem observar a tirania que se esconde por trás de indivíduos que se usam da tradição cristã para oprimir e violentar sua companheira.

Fica aqui a provocação para a reflexão e para as denúncias.

Fontes das citações:



sábado, 2 de janeiro de 2016


Gostaria de desejar a todos nossos visitantes um feliz 2016!

A construção de um mundo melhor passa pelo compromisso de nos tornarmos pessoas melhores.

Nosso Blog continuará a trilhar o caminho das denúncias contra os fundamentalismos religiosos das Testemunhas de Jeová e de auxiliar adeptos e ex-adeptos a perceberem que existe vida fora dos muros da Torre de Vigia.

Nosso mérito reside em trabalharmos não apenas como somos, mas orientados por uma determinação do melhor que podemos ser e fazer.
Heloísa luck


sexta-feira, 11 de dezembro de 2015


O Blog Ex-Testemunhas de Jeová parte para uma nova empreitada. O que mais percebemos nesses oito anos de atuação na Internet denunciando os extremismos religiosos da Torre de Vigia foi a necessidade vital de responder algumas questões recorrentes feitas por muitos de nossos fiéis leitores: o que fazer para sair das Testemunhas de Jeová ou mesmo o que fazer depois que saí das Testemunhas de Jeová?

Muitos ficam angustiados e perdidos com as mudanças que porventura acontecerão e com certeza a ajuda de um profissional qualificado pode ser de grande importância para superar momentos de tanta tensão como esse.

Por isso o Blog Ex-Testemunhas de Jeová está criando a partir desse momento uma seção destinada a textos que possam ajudar e colaborar com as diversas situações que um adepto ou ex-adepto das Testemunhas de Jeová possam enfrentar.

Além disso, estamos criando uma rede nacional de contatos com profissionais na área da saúde para que possamos indicar a quem nos procura por ajuda. No momento estamos com dois psiquiatras do estado de São Paulo. 

Para mais informações podem me mandar um email: pascoalreload@gmail.com 


sábado, 28 de novembro de 2015


Me chamo Fernando, tenho 28 anos, sou do Rio de Janeiro. Deixei de ser Testemunha de Jeová há 2 anos.
Por volta dos meus 5 anos de idade, minha mãe se tornou Testemunha, atraída pelas promessas da Torre de Vigia e pelo "amor cristão" existente na congregação, que de alguma forma serviram de consolo para alguns problemas familiares que passávamos na época. Meu pai nunca se tornou TJ. Estudou, mas nunca frequentou as reuniões. Acredito que ele apoiava a posição da minha mãe em criar eu e minha irmã como TJs por comodismo.
Nossa família é de origem pobre e de pouca escolaridade, presa fácil para a doutrinação da Torre de Vigia. Meu pai faleceu quando eu tinha 19 anos, e por influência da religião não entrei numa faculdade nessa época.
Enquanto Testemunha de Jeová, fiz boas amizades e servi como servo ministerial (equivalente a um privilégio dentro da congregação). Entreguei o cargo após começar a questionar os ensinos e ter contato com o Fórum e os livros de Raymond Franz. Fiquei 2 anos "infiltrado", construindo uma vida não TJ em paralelo, mas me sentindo cada vez mais sufocado por tudo aquilo, até que decidi me afastar. Os anciãos (equivalente a pastor) ficaram me perseguindo, até que aceitei conversar com eles uma vez e abri o jogo. Não me desassociaram na ocasião, apenas 4 meses após quando postei uma foto com um amigo meu de infância, o Arthur Prado aqui do grupo, que já era ex-TJ e conhecido como "apóstata". Usaram essa foto como evidência para a desassociação. Na verdade eles estavam à espera de qualquer coisa palpável que pudessem usar contra mim com intuito de me silenciar. Como minha vida já tinha andado, nem perdi meu tempo com comissões judicativas (tribunal eclesiástico das TJs), nem nada, simplesmente cortei o vínculo com tudo relacionado às Testemunhas de Jeová.
Hoje vivo bem. Ainda tenho amizade com alguns TJs (óbvio que sem o conhecimento da congregação) e fiz muitos novos amigos. Consegui recuperar o tempo perdido na Torre, e aos poucos a minha vida acadêmica, pessoal e profissional está entrando nos eixos.
Minha namorada também é ex-Testemunha de Jeová, desassociada por assumir o namoro. Minha irmã está afastada há 10 anos. Minha mãe, apesar de ainda ser TJ, mantém uma boa relação comigo.
Atualmente sou ateu, até que se prove o contrário... rsrs
Aproveito para parabenizar cada membro desse grupo pela força moral de superar uma seita tão manipuladora como a Organização Torre de Vigia.
Um grande abraço meus amados irmãos e irmãs!! 

Perfil do Fernando Silva no Facebook:




Os líderes das Testemunhas de Jeová na Inglaterra estão orientando os anciãos (equivalente a pastor) congregacionais a destruírem documentos pessoais que possam conter informações comprometedoras para a Organização, inclusive as que tratam de abusos sexuais. 

O que há de novo? Que esse assunto seja tratado com a máxima urgência e diligência, sendo assim a Organização enviou a todos as Comissões de Serviço uma lista de tarefas (checklist) a realizar, de modo a que nada falhe.



Essa lista de tarefas (checklist) até mesmo estabelece o prazo máximo de 31 de Dezembro de 2015 para a situação estar resolvida.



​Abaixo o documento original enviado (em inglês).

Tradução:
2015 - CHECKLIST PARA AUDITORIA DE ARQUIVOSA Comissão de Serviço da Congregação deve realizar essa auditoria antes de 31 de 2015. 
Tudo declarado abaixo está relacionado com informações armazenadas em papel ou formato eletrônico.
Assinale as caixas à medida que finaliza cada tarefa.
[ ] Cheque com todos os anciãos para confirmar que cada um destruiu seus ficheiros pessoais:Todos os assuntos e minutas das reuniões de anciãos (menos minutas de reuniões de negócios). Nota: Nenhum ancião deve receber uma cópia pessoal de minutas de reuniões de anciãos. Procurar por minutas que tiverem sido revisadas devido a erros e que estejam na posse de algum ancião.Todas as notas pessoais tomadas nas reuniões de anciãos (exceto aquelas baseadas em discussões de esboços do Escravo Fiel e Discreto e das que não fazem menção de pessoas em particular).Quaisquer outros registros pessoais, notas ou correspondência que refira pessoas em particular. Se um ancião acredita que algo deve ser mantido na congregação, ele deve entregá-la à Comissão de Serviço da Congregação.Os três pontos acima não se aplicam ao arquivo da congregação.O SEGUINTE APLICA-SE AO ARQUIVO DE CONGREGAÇÃO:[ ] Certifiquem-se que os registros judicativos estão de acordo com as diretrizes encontradas nas seguintes referências: ks10 2:16, pontos 2, 3; 2:21, ponto 8; 5:39, 41, 62, 7:34; 9:2, 3.
[ ] Certifiquem-se que todos os registros relacionados com abusos sexuais de crianças estão em harmonia com o ks10 2:16, ponto 3 e 5:39.
[ ] Destruir todas as minutas de reuniões de anciãos. Certificar-se que minutas não sejam nada mais que simples notas de decisões em harmonia com o ks10 2:6.
[ ] Verificar o arquivo para se certificar que não contenha qualquer carta ou documento desnecessários.

-------------------- ---------------------------------------------------------- -------------------------------------------Data Coordenador do Corpo de Anciãos Secretário Superintendente de Serviço
NÃO ENVIE ESTE FORMULÁRIO AO ESCRITÓRIO DE FILIAL. Torne-o disponível ao Superintendente de Circuito com os arquivos de congregação para inspeção durante a visita que cai entre Fevereiro e Agosto.

​Que razões existirão para tal urgente demanda na destruição de documentos e notas pessoais na posse de anciãos?
Conforme explica Marc, um ativista e ex-Testemunha de Jeová na Inglaterra, é muito provável que isto esteja relacionado com os muitos escândalos que têm surgido relativamente aos casos de abuso sexual de menores (ver vídeo no final).
O próprio documento salienta esse aspeto, quando diz:​ "Certifiquem-se que todos os registros relacionados com abusos sexuais de crianças estão em harmonia com o ks10 2:16, ponto 3 e 5:39."



Depois de ler isto, conclui-se que a intenção dessa denominação religiosa é eliminar todas as provas documentais de julgamentos sumários e unilaterais que acontecem nas sua comissões judicativas (um tribunal eclesiástico que julga adeptos "transgressores"). Julgamentos esses que o "acusado/culpado" não tem o direito de qualquer advogado. Ninguém está presente, a não ser os anciãos (equivalente a pastor) e o "réu". 



Outra questão é que com todos os problemas que os líderes das Testemunhas de Jeová estão enfrentando mundialmente com vários casos de abusos sexuais vindo a tona será mais sensato, para eles obviamente, que não exista vestígios ou provas documentais que possam ser usadas contra eles. 

Não admira que depois do escândalo que foi a comissão australiana, a organização das Testemunhas de Jeová esteja a se preparar para evitar um dano ainda maior para a sua credibilidade, tentando evitar ao máximo que registos pessoais e congregacionais caiam nas mãos erradas de alguém, especialmente investigadores destas comissões.

Para mais informações veja:

AUSTRÁLIA: TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ACOBERTARAM MEIO SÉCULO DE ABUSOS SEXUAIS CONTRA CRIANÇAS!

INGLATERRA: BBC NEWS APROFUNDA INVESTIGAÇÃO SOBRE PEDOFILIA ENTRE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ!

Créditos e agradecimentos:




quinta-feira, 26 de novembro de 2015



APRESENTO ABAIXO A TRADUÇÃO DO ARTIGO PUBLICADO NO SITE JWSURVEY, DE AUTORIA DE JOHN CEDARS, QUE FALA SOBRE A POSSIBILIDADE DE FALÊNCIA DA ORGANIZAÇÃO TORRE DE VIGIA E O SEU CONSEQUENTE FIM.
Tradução feita por Artur Araújo.

Será que a Torre de Vigia está implodindo? 10 razões pelas quais o fim poderia estar próximo.
Para muitos que são Testemunhas de Jeová, ou que já foram um dia, que se encontram vítimas de algumas das características cruéis de seita da Torre de Vigia, a perspectiva de testemunhar o fim da organização parece boa demais para ser verdade.

Especialmente quando você passou muitos anos aceitando as falsas promessas de futuros eventos extraordinários, é compreensível que você seja cuidadoso ao depositar as suas esperanças sobre algo tão importante como a queda da organização que enganou você.

Eu, obviamente, não vou fazer a você nenhuma promessa, porque eu aprendi a ser extremamente cauteloso com expectativas, em todas as suas formas. Mas quando eu olho para o que está acontecendo com a Torre de Vigia, eu vejo uma organização desmoronando em um ritmo mais rápido do que eu jamais poderia ter razoavelmente previsto.
A mais recente evidência de queda livre da organização vem na forma de uma carta a todos os anciãos no território dos Estados Unidos, datado de 8 de julho de 2015. Você pode ler sobre o novo "plano mestre" da Torre de Vigia por conta própria, mas, essencialmente, ele acrescenta mais uma advertência às suas manobras “quebra e agarra” e “dízimo-dissimulado” do ano passado. (Os agradecimentos vão para JWleaks.org por ser o primeiro a tornar essa carta disponível.) *
A nova carta diz essencialmente aos publicadores (ou não diz aos publicadores, porque é uma carta só para anciãos): "Não só vamos fazer vocês prometerem que vão enviar dinheiro todos os meses para a manutenção de um Salão do Reino que não é de sua propriedade em qualquer sentido, como também estamos avisando que provavelmente vamos vender seu Salão do Reino, embolsar os lucros e encaminhar sua congregação para ir compartilhar o Salão do Reino de outra congregação, enquanto ainda vamos cobrar as parcelas do financiamento do Salão do Reino da sua congregação que acabamos de vender. "

Ao invés de escrever um resumo exaustivo da carta, e rediscutir assuntos que eu já apresentei em artigos anteriores, eu pensei em fazer uma abordagem diferente, adicionando este último acontecimento na minha lista de 10 razões pelas quais eu acredito que a Watchtower pode estar perto do seu fim. Aqui vai …

1 – TESTEMUNHAS DE JEOVÁ ESTÁ SE TORNANDO UM NOME COM PÉSSIMA REPUTAÇÃO
A internet está mais hostil do que nunca em relação às Testemunhas de Jeová. À medida que o mundo torna-se mais consciente do fenômeno seita (em parte graças ao sucesso dos documentários como "Going Clear" filme da HBO sobre a Cientologia) jornalistas estão se tornando cada vez menos sensíveis quando se trata de destacar as características de seita da Organização em artigos de jornais e noticiários.Ex-Testemunhas já tornaram o YouTube em uma zona proibida para Testemunhas de Jeová ativas, e continuam a explorar estratégias engenhosas para alcançar aqueles que ainda estão sob o feitiço da Torre de Vigia. Até mesmo blogs de não-Testemunhas de Jeová, como “Friendly Atheist” (Ateu amigável) agora estão se reunindo para a causa ex-TJ e se fazendo ouvir cada vez mais sobre práticas prejudiciais da organização. Tudo isso significa que é mais difícil do que nunca para a seita conseguir novos convertidos e mais fácil do que nunca perder seus atuais convertidos.

2 – MENOS “ALIMENTO ESPIRITUAL” ESTÁ SENDO PUBLICADO
As revistas sobre os carrinhos de literatura testemunham uma enorme queda na saída impressa de 39% para a impressão mensal da revista desde 2005. Se a “verdadeira organização de Deus” é florescente, então por que tem escalado tão drasticamente para baixo em seu "alimento espiritual?" A verdade é simples, imprimir é caro, muito caro. Um bom indicador de prosperidade para qualquer Organização de impressão é a sua saída impressa. Se uma empresa de impressão tem um problema, ela irá imprimir menos material. Isso é exatamente o que nós já temos visto por algum tempo com a Torre de Vigia.

3 – GLOBALMENTE A ORGANIZAÇÃO ESTÁ RECUANDO
A Torre de Vigia está fechando filiais a uma taxa nunca vista antes, com a quantidade de filiais em queda livre a partir de 118 em 2009 para apenas 90 desde o ano passado. A Organização costumava orgulhar-se de sua presença global, e anunciava a inauguração de novas filiais como prova de apoio de Deus para a obra de pregação global. Agora Torre de Vigia está em franco recuo, usando uma única filial para executar os negócios de vários países. As GTRs, ou "Gabinetes de tradução remota" (pense em um GTR como uma pequena Bethel), são vistos como uma forma de manter algum tipo de presença em territórios longínquos, mas os dias de glória da expansão global implacável da Torre de Vigia estão desaparecendo rapidamente no espelho retrovisor.

4 – A MENDICÂNCIA COMEÇOU
Pela primeira vez na história da organização, o Corpo Governante admitiu abertamente um défice de fundos necessários no episódio de maio de 2015 do JW Broadcasting. Este anuncio sem precedentes foi feito apesar da Torre de Vigia ter embolsado 1 bilhão de dólares com a venda às escondidas de seu portfólio de Brooklyn ($ 375,000,000 em uma única transação), o que poderia indicar que os rendimentos de Brooklyn já foram gastos. Afinal de contas, quando a transparência contábil é zero, nós não temos nenhuma maneira de saber o quão endividada a Organização está. Nenhuma quantidade de receita de venda de imóveis será de muita utilidade para a Torre de Vigia se tudo for sugado em um poço sem fundo da dívida acumulada.

5 – O DÍZIMO DISFARÇADO COMEÇOU
Não surpreende uma organização em perigo financeiro desesperadamente se agarrar em torno de novas maneiras de trazer mais dinheiro de ativos disponíveis. No caso da Torre de Vigia, eles são impedidos de exigir dinheiro de membros individuais, porque isso seria classificado como "dízimo" - uma prática associada a falsa religião que a organização condenou desde a sua criação. O que a Torre de Vigia pode fazer é cobrar dízimo, não de indivíduos, mas das congregações. Este é precisamente o que o novo arranjo "Projeto Local/Construção" alcançou.No ano passado anciãos foram forçados a prometer um montante fixo para ser doado a Torre de Vigia todos os meses a partir de sua conta congregação, com base em (1) no valor que a congregação já estava enviando para pagar um empréstimo de construção/restauração (ou reforma), ou (2) pequenos pedaços de papel anônimos passados de mão em mão para que os publicadores indicassem a quantia que estavam dispostos a doar todo mês. As Congregações foram orientadas a enviar quaisquer fundos excedentes que seriam reservados para os momentos difíceis da Torre de Vigia, deixando apenas US $ 5.000 mais o equivalente a três meses das despesas operacionais regulares.Surpreendentemente, a maioria das Testemunhas continuam a ignorar esse ato que equivale a um “assalto-relâmpago”, e vivem sob a suposição de que Torre de Vigia misericordiosamente perdoou todos os empréstimos para construção do Salão do Reino.

6 – COMPARTILHAMENTO DE SALÕES DO REINO ESTÃO NA MODA
Como já mencionado, Torre de Vigia instruiu todos os anciãos nos Estados Unidos, a partir de 08 de julho de 2015, para estarem prontos para a possibilidade de transferir suas respectivas congregações para um Salão do Reino diferente, caso seja necessário aplicar o novo “plano mestre” da Organização. A carta marca o sinal verde para a redução que já estamos vendo na sucursal, e que em breve deve ser lançado a nível congregacional, e é mais uma vez clara evidência de que a Torre de Vigia está desesperada para economizar todo o dinheiro que puder e se tornar uma Organização menor, financeiramente mais ágil .A jogada final seria criar múltiplos Salões do Reino em locais no centro da cidade, compartilhados por cinco ou mais congregações – uma situação bem distante daquele sentimento paroquial que Testemunhas mais antigas estão acostumadas.Encantador como seja imaginar uma enorme regressão na presença local da Organização, não dá para evitar se sentir mal por todas aquelas Testemunhas de longa data que doaram milhares ao longo dos anos sob a falsa suposição de que elas eram responsáveis pela manutenção do seu salão do Reino local. Em breve, apesar de toda a sua bondade e generosidade, tais pessoas podem enfrentar longas e custosas viagens de carro para lugares sem alma, intimidadores, com localização inconveniente no centro da cidade, designados pela Torre de Vigia.

7 – PESSOAS ESTÃO SENDO DISPENSADAS
No ano passado, os superintendentes distritais receberam a indesejada notícia de que suas posições já não existiam mais, e eles eram desnecessários. Embora alguns tenham sido rebaixados para o posto de superintendente de circuito, a maioria foi descartada pela organização, abandonados a própria sorte – uma classe hierárquica inteira da organização foi dissolvida, e considerados não reparáveis ou não rentáveis.De uma maneira semelhante e sem cerimônia, os trabalhadores das filiais sujeitas ao encerramento de suas atividades pela Torre de Vigia ficaram à deriva, com anos ou mesmo décadas de serviço leal, aparentemente não podem contar com a Organização para fazer face às suas despesas pessoais. Uma história que surgiu recentemente de um betelita de Wallkill, que foi praticamente jogado na rua devido a "cortes", sugere que a cúpula da organização não têm escrúpulos quando se trata de empunhar o machado. Betelitas no coração da Torre de Vigia fariam bem em prestar atenção a suas costas e preparar para o pior tendo em vista que a Organização procura cortar gastos onde quer que ela possa.

8 – AS ARMAS SECRETAS FALHARAM
Apesar de todo o alarde e propaganda, a JW.org tem sido incapaz de atrair aqueles que não são Testemunhas - seu principal público-alvo. Basicamente o site só prega para os já convertidos. O anuário de 2015 se gabou de que JW.org recebeu 850,000,000 + total de visitas nos primeiros dois anos a partir de 27 agosto de 2012 a 31 de agosto de 2014. Este número parece impressionante até que você levar em conta o número de Testemunhas de Jeová - 8.000.000. Supondo que cada Testemunha ativa visita seu próprio site pelo menos uma vez por semana, você chega a apenas um número ligeiramente inferior de 832,000,000 visitas ao longo dos dois anos (8.000.000 x 52 x 2).*E isso sem contar com a provável visita de apóstatas.E, apesar de ter sucesso em tornar a organização mais visível, não houve nenhum aumento notável em batismos nos dois anos desde que programa de carrinhos de literatura (ou "testemunho metropolitano") foi lançado. Afinal de contas, deixar literatura nas mãos de alguém não vai impedi-los de ir na internet e verificar os fatos quando chegar em casa. E isso supondo que alguém está interessado em se aproximar dos carrinhos, para começar. Neste artigo do Guardian, o repórter observou alguns carrinhos em uma parte movimentada de Londres por uma hora, e a única pessoa que se aproximou das Testemunhas fizeram isso porque eles precisavam de instruções.

9 – AS COMPORTAS DO ABUSO INFANTIL FORAM ABERTAS
Como foi previsto na época, tem havido um fluxo incessante de ações judiciais sobre abuso infantil movidas contra a Torre de Vigia desde o veredicto do Caso Cadence Conti em 2012. Em 2013, um ano depois do caso Conti, o advogado Irwin Zalkin me disse que ele tinha não menos do que 11 ações judiciais em seus livros. Embora muitos desses processos tenham resultado em acordos, o sucesso do caso José Lopez e a recente vitória na Alta Corte de Londres mostraram que se vítimas de abuso infantil estiverem dispostas a fincar os pés e manter o rumo, elas podem obter não apenas as indenizações, mas a sensação de justiça cumprida.Tudo isso acaba prejudicando ainda mais uma organização que já é atacada por suas práticas sectárias, tais como o repúdio aos desassociados e as fatais proibições de transfusão de sangue. E para além da reputação atroz, conta ainda com jornalistas bem informados como Trey Bundy, espalhando os problemas de má gestão organizacional nos meios de comunicação, e a questão do dinheiro para pagar indenizações multimilionárias e acordos extrajudiciais, que tem que vir de algum lugar.Ainda que o Corpo Governante enviasse amanhã mesmo uma carta bem atrasada FINALMENTE orientando os anciãos a reportar todas as acusações de abuso infantil diretamente à polícia, mesmo assim a Torre de Vigia teria que responder por todos os processos acumulados das vítimas que sofreram enquanto a regra das duas testemunhas estava em vigor. Tais vítimas podem ter apenas uma pequena janela de oportunidade para conseguir algum dinheiro da Torre de Vigia

10 – A TORRE DE VIGIA NÃO POSSUI UMA ESTRATÉGIA DE RP
Você é uma organização internacional sem fins lucrativos, baseada na fé e com péssima reputação tanto na internet quanto na mídia. Cada vez menos pessoas de países ricos e desenvolvidos com internet estão se juntando a você, e, assim, as doações estão diminuindo. Para toda a obra evangelizadora e de promoção dos seus membros, alguns cliques no Google pode desmantelar completamente a mensagem de sua organização. Para piorar as coisas, você tem montanhas de custas judiciais e acordos extrajudiciais para pagar, sem mencionar um fluxo de receitas cada vez menor. O que você precisa urgentemente é de uma boa estratégia de RP (relações públicas) para tornar mais fácil trazer novos convertidos (e suas doações) - mas mesmo nesse ponto a Torre de Vigia é quase comicamente incompetente.A organização tem basicamente duas estratégias de RP: (1) enterrar a cabeça na areia e esperar que seus opositores fique cansados e desapareçam, ou (2) refutar as alegações feitas por seus opositores, usando mentiras descaradas (* tosse * Rick Fenton ). Ambos os métodos podem ajudar tipos como Tony Morris a conseguir dormir à noite, no curto prazo, mas no final eles são autodestrutivos. Para observadores neutros, o silêncio da organização é incriminatório quando acusações sérias são divulgadas – especialmente as relacionadas com abuso infantil. E quando você apresenta mais mentiras sobre suas políticas e ensinos prejudiciais a única coisa que consegue é oferecer ainda mais corda para críticos como eu enforcá-lo.A única estratégia viável que a Torre de Vigia pode aplicar nesse estágio é uma profunda reforma, mas a experiência passada mostra que qualquer forma de "acordo" é vista pelo Corpo Governante como capitulação às hordas de Satanás. Em suma, a Torre de Vigia está afundando porque seus líderes iludidos são seus próprios piores inimigos.

O QUE RESERVA O FUTURO?

Em momento algum eu sugeri que nós vamos ver o fim das Testemunhas de Jeová como religião em nosso tempo de vida. O fato de continuar a haver tal coisa como os Estudantes da Bíblia, que ainda se agarram a Charles Taze Russell e seus desacreditadas ensinamentos estranhos, diz-nos que as religiões têm habilidades incríveis de sobrevivência, mesmo quando os membros sejam privados de sua liderança. Fé, afinal de contas, é um produto da mente das pessoas. Quando uma quantidade suficiente de pessoas começa a acreditar que em uma mesma coisa sem fundamento você tem uma religião, independentemente da existência de uma pessoa ou organização para conduzi-la.
Mas enquanto as religiões são virtualmente indestrutíveis, as corporações não são. Organizações sem fins lucrativos como a Torre de Vigia são tão capazes de ficar em dívida como qualquer outro negócio. E quando o seu gerente de banco começa um processo de falência contra você, por você não poder mais honrar suas dívidas, é fim de jogo.

Aqueles que sugerem que a Torre de Vigia é muito grande e bem sucedida para falir precisam apenas atentar para o fato de que ela já está diminuindo desde que atingiu seu auge (em termos de ramos de operação e impressão) em algum momento entre 2005 e 2010. Acrescente a isso o desesperado apego por dinheiro ao longo dos cinco anos desde então, e você terá os presságios de um colapso organizacional.
Os ventos da mudança já dominaram completamente a Torre de Vigia na era da internet, e o Corpo Governante está diante de uma situação totalmente diferente daquela enfrentada por seus antecessores. Se as coisas estão realmente tão ruins quanto eu imagino, a Torre de Vigia vai ter que reduzir drasticamente suas operações para, digamos, um punhado de filiais e nada de imprimir publicações. Em outras palavras, a organização precisa imitar seu vizinho barulhento, a Cientologia, que apesar de ter apenas cerca de 50.000 membros (e uma reputação bem pior) ainda tem um impressionante portfólio de propriedades valiosas espalhadas por todo o globo e despesas gerais mínimas quando comparada com a Torre de Vigia.
Mas qualquer redução dessa magnitude colocaria a Torre de Vigia em um espiral ainda mais vicioso, no qual teria início uma “hemorragia” até mesmo entre os membros mais obstinados. Afinal, quando você passa décadas apontando para o seu sucesso como evidência de apoio divino, como você pode explicar qualquer acentuado declínio repentino?

Se a Torre de Vigia for à falência, ela sempre poderá tentar alegar que a Grande Tribulação começou e os servos de Satanás (seus credores) começaram a atacar abertamente o povo de Deus, mas isso simplesmente não vai funcionar com as Testemunhas mais inteligentes. Seja o que for que reste da organização (talvez um novo nome para abandonar o velho “Torre de Vigia” totalmente, mantendo os membros do Corpo Governante na dianteira) ainda assim teria um enorme êxodo em suas mãos.
É precisamente por causa de todo o orgulho em jogo que, em minha mente, uma implosão súbita parece cada vez mais plausível. Ao contrário de organizações comerciais comuns que têm a flexibilidade para alterar o seu tamanho e escopo de acordo com as condições prevalecentes, para ter qualquer credibilidade a "organização de Deus" só pode ser vista pelos seus membros como estando em uma trajetória ascendente para suas pretensões grandiosas de direção divina. Qualquer regressão perceptível seria justamente interpretada como evidência da ausência do favor de Deus. Dessa forma, qualquer problema seria autorizado a se acumular atrás de portas fechadas até que atinjam uma massa crítica.

É claro que eu posso estar errado, mas se isso é assim, então a Torre de Vigia está fazendo uma enorme quantidade de mendicância e enxugamento de despesas sem qualquer razão em particular, e com muito a perder ao fazê-lo. Poderia muito bem ser que alguns acontecimentos incríveis estejam à frente enquanto o dilema da Torre de Vigia deteriora cada vez mais, ao tempo que os membros do Corpo Governante lentamente descobrem que Jeová não está vindo para o resgate. É melhor eu começar logo a escrever meu livro enquanto ainda há uma organização para escrever sobre.

JOHN CEDARS
Link do texto original
http://jwsurvey.org/cedars-blog/is-watchtower-imploding-10-reasons-why-the-end-could-be-nigh


terça-feira, 24 de novembro de 2015






A repercussão do documentário "Na Sombra do pecado" sobre os fundamentalismos religiosos das Testemunhas de Jeová continua na mídia em Portugal. Mais uma vez a repórter investigativa Ana Leal foi convidada para um programa televisivo chamado "A tarde é sua" que é apresentado por Fátima Lopes.

Os principais temas abordados foi a discriminação para com ex-adeptos, o desincentivo ao ensino superior, o controle total do cotidiano de seus adeptos, os casos de pedofilia encobertos por décadas e a recente orientação da Torre de Vigia para que todas as congregações começassem uma "queima de arquivo" em todos os documentos que porventura tivessem algo que comprometesse a imagem da igreja.


Para saber mais sobre o assunto acesse:





domingo, 22 de novembro de 2015



Depois de toda repercussão em Portugal pelo Documentário "Na Sombra do pecado" em que são mostradas atitudes fundamentalistas e intolerância religiosa das Testemunhas de Jeová, os líderes dessa denominação religiosa, tendo como representante David Splane (membro do Corpo Governante), deu declarações para seus adeptos portugueses que lamentava a falta de profissionalismo dos jornalistas, pois em nenhum momento a liderança das Testemunhas de Jeová em Portugal foi procuradas para dar a sua versão dos fatos.
Embora nunca se referisse a  jornalista Ana Leal e à sua reportagem de modo direto, as palavras que proferiu foram medidas e pesadas, de modo a que as Testemunhas de Jeová que escutaram o assunto, acreditassem que foi assim que isso aconteceu. 



​Para esclarecer a verdade dos fatos a jornalista Ana Leal apresentou mais uma matéria jornalística na TVI, onde demonstrou que as declarações proferidas pelo membro do Corpo Governante David Splane foram enganosas e distorceram por completo o que realmente se passou com respeito à ausência de explicações dos representantes da Organização das Testemunhas de Jeová em Portugal.
Pois bem, vendo esse vídeo acima, será que as Testemunhas de Jeová continuarão a ter a mesma ideia, ou ao invés disso, vão começar a perceber que sua organização religiosa os manipula com respeito à informação, distorcendo fatos de modo a encaixar nos seus interesses e propósitos?




Salientando mais uma vez as várias tentativas de abordagem junto a Betel (instalação oficial das TJs) de Portugal durante a entrevista e mesmo após a conclusão desta. A jornalista Ana Leal terminou com chave-de-ouro ao se dirigir mais uma vez as instalações oficiais das Testemunhas de Jeová, convocando diante da câmara, uma entrevista. Mais uma vez tal entrevista foi negada, com uma simples frase: "Não temos nada a acrescentar." Mas na verdade, eles nunca chegaram a dizer nada à jornalista e por isso, até mesmo esta frase não tem lá muito sentido.

Nesta "fotografia" quem ficou bem?
Como é óbvio, a jornalista Ana Leal pela sua seriedade enquanto profissional e a sua coragem em confrontar mais uma vez aqueles que a acusaram de ser má profissional por ouvir apenas um dos lados da questão.

Por outro lado, o Betel por meio dos seus representantes, falhou redondamente em prover uma explicação satisfatória às questões propostas e revelou que afinal quem recusou ser entrevistado foram eles e não foi a jornalista que foi parcial.

O exemplo do que aconteceu hoje é claro!

​Como disse a Ana Leal no final da reportagem:
"Esta é que é a verdade e só não vê quem não quer."


Para saber mais sobre o assunto acesse:



Créditos:

Texto alterado por mim em algumas partes, mas o restante agradeço ao colega TJ Curioso. Acesse o link abaixo para ver o conteúdo dele:



sábado, 21 de novembro de 2015


Quem quiser participar pode deixar seu número no tópico abaixo ou se preferir me envia por  e-mail que é pascoalreload@gmail.com


sexta-feira, 20 de novembro de 2015


Uma menina de 9 anos, com leucemia aguda, precisa de uma transfusão de sangue. Mas os pais, adeptos da religião Testemunhas de Jeová, não autorizam o procedimento. Um aposentado de 84 anos, com pneumonia grave e também testemunha de Jeová, necessita de transfusão, mas, do mesmo modo, a família não dá o aval.

Casos assim são mais comuns do que se pensa no Brasil, e o de Armando Wolff, o aposentado em questão, é o ponto de partida de um inquérito no Ministério Público Federal (MPF) no Rio de Janeiro –em uma investigação que traz à tona o embate entre fé e ciência, o papel do Estado na proteção do cidadão, o dilema moral de médicos e o conflito entre dois direitos fundamentais do homem: à vida e à liberdade de escolha.

Armando Wolff foi internado em 25 de julho de 2010 na Clínica São Lucas, em Macaé, no Norte fluminense. Segundo o prontuário médico, tinha dispneia (falta de ar), arteriosclerose e infecção urinária de repetição, além de anemia crônica. O quadro evoluiu para pneumonia gravíssima. Anêmico e inconsciente, não reagia aos medicamentos, e o hospital tentou que seu filho, Aldo, autorizasse a transfusão de sangue.

Sem autorização do filho, o hospital de Macaé foi à Justiça, argumentando que tinha o dever de salvar o paciente. A transfusão foi autorizada pela Justiça e realizada em 18 de agosto de 2010. Armando Wolff morreu 11 dias depois.

Aldo iniciou, a partir daí, o périplo que deságua no inquérito do MPF. Na ação, ele alega desrespeito à vontade do paciente e cobra "reforço no ensino de medidas alternativas à transfusão de sangue". Wolff não quis dar entrevista. Procurado pela BBC Brasil, seu advogado também não se manifestou.

Ler o inquérito é desenrolar um novelo em um labirinto de fatos e nomes e perceber de que modo se relacionam. Anexado ao inquérito sobre o caso Wolff está o de Luis Augusto do Nascimento, internado em novembro de 2011 no Instituto Nacional de Traumato-Ortopedia (Into), no Rio, para uma cirurgia na coluna. Cardiopata e usuário de marca-passo, Nascimento, testemunha de Jeová, não autorizou a transfusão caso ela fosse necessária.

O Into lhe deu alta, argumentando que a cirurgia oferecia risco de sangramento e que necessitava da autorização para eventual transfusão. Um amigo de Nascimento, Washington Salvioli Salgado, procurou o MPF, que abriu investigação.

Em 2013, o Into informou ao MPF que ofereceu a Nascimento a possibilidade de autotransfusão, ou seja, retirar o próprio sangue do paciente, armazená-lo e usá-lo na cirurgia. Mas Nascimento não foi mais localizado, e o inquérito foi arquivado.

À BBC Brasil, Salvioli disse que o amigo morreu há cerca de um ano, sem ter feito nem a transfusão nem a cirurgia.

Em nota, o o Into informou que realiza de 45 a 55 cirurgias de média e alta complexidade por dia e que 10% delas exigem transfusões de sangue, sendo oferecida a autotransfusão. Mas que é necessário que o paciente ou seu responsável legal autorize o procedimento.
Pela vida de Luana

Do novelo do inquérito do caso Wolff surgem outros casos pelo país. Aos 9 anos, Luana Manske foi internada em 2014 no Cias, hospital da Unimed em Vitória, para se tratar de leucemia linfoide aguda.

Seus pais, testemunhas de Jeová, não assinaram a autorização para a transfusão de sangue, e a Unimed entrou na Justiça. "Como a menina era menor de idade, a Justiça autorizou sem dificuldades", lembra o advogado da Unimed Vitória, Marcelo Devens.

O pai de Luana, o empresário Evanildo Manske, disse que conversou com os médicos sobre os impedimentos que sua religião impõe. Segundo ele, os médicos utilizaram no tratamento hemoderivados fracionados do sangue, ou seja, pequenas quantidades de elementos do sangue.


Este tipo de procedimento é considerado pelas testemunhas de Jeová como "uma questão de consciência", ou seja, o fiel decide se quer ou não aceitar. Para salvar a filha, ele aceitou.


"Os médicos me garantiram que não foi transfusão. Não aceitaria pertencer a uma religião que teria que deixar um filho morrer para agradar a um ser num universo que a gente nunca viu. Não sou um fanático. Quem é pai sabe", afirma.

Luana, aos 10 anos, está quase concluindo o tratamento. Seus pais criaram uma página no Facebook para que amigos possam acompanhar sua recuperação. A família segue como testemunha de Jeová e Luana foi batizada na religião. No ano que vem voltará para a escola.
Questões bíblicas

Criada nos Estados Unidos no fim do século 19, a organização religiosa Testemunhas de Jeová tem 8 milhões de adeptos em 239 países, segundo seu site oficial, e 800 mil no Brasil. Deus recebe o nome de Jeová, e os adeptos seguem a Bíblia, mas não acreditam no princípio da Santíssima Trindade (Pai, Filho e Espírito Santo unidos num só Deus Todo Poderoso).

Entre suas práticas religiosas está a proibição de que os fiéis se submetam a transfusões de sangue, graças à interpretação que fazem da Bíblia a partir de versículos de vários livros, como Gênesis e Atos dos Apóstolos. Neste último, recomenda-se que o homem se abstenha "de coisas sacrificadas a ídolos, de sangue, do que foi estrangulado e de imoralidade sexual".

O sangue é entendido como sinônimo de vida e a transfusão, como um pecado que corrompe sua pureza.

"A gente não fala em punição para quem descumpre. Mas é a integridade de um princípio que deve ser preservada. A Bíblia não fala em exceção", afirma o engenheiro Guilherme Rabello, membro da Colih (Comissão de Ligação com Hospitais), órgão que a Associação Torre de Vigia, que reúne as testemunhas de Jeová, mantém para acompanhar casos médicos.

Segundo Rabello, estão barradas a transfusão de sangue total e a de qualquer um de seus quatro principais componentes (glóbulos vermelhos, glóbulos brancos, plaquetas e plasma), porque eles mantêm a simbologia bíblica do sangue. Quanto à terapia com hemoderivados fracionados (receber só a proteína albumina ou o fator Rh, por exemplo), cabe ao fiel decidir.

É a questão de consciência de que falou o empresário Evanildo Manske, pai de Luana. Rabello destaca, no entanto, que a literatura médica mostra procedimentos capazes de reduzir o uso de transfusões.

Resolução

A resolução 1.201/80 do Conselho Federal de Medicina estabelece que, se houver recusa de permitir a transfusão de sangue, o médico, obedecendo ao Código de Ética Médica, deve agir da seguinte forma: se não houver iminente perigo de vida, respeitará a vontade do paciente ou dos responsáveis; se houver iminente perigo de vida, praticará a transfusão mesmo sem consentimento do paciente ou de seus responsáveis.

Em agosto de 2014, a 6ª Turma do Superior Tribunal de Justiça (STJ) absolveu da acusação de homicídio um casal de testemunhas de Jeová que proibiu a transfusão de sangue na filha de 13 anos, com grave anemia.

Para os magistrados, os pais não poderiam ser responsabilizados pela morte e os médicos deveriam ter cumprido seu dever apesar da resistência da família. Pela decisão, a invocação religiosa deve ser indiferente aos médicos, que têm o dever de salvar vidas.

O tema segue longe da unanimidade, o que deixa mais difícil o trabalho da procuradora da República Ana Padilha Luciano de Oliveira, da Procuradoria Regional dos Direitos do Cidadão no Rio de Janeiro, onde está hoje o inquérito do caso de Aldo Wolff. Uma audiência pública foi convocada para ouvir as partes.

"O direito à vida inclui uma vida digna, conforme seus princípios. A gente pode achar absurdo abrir mão da possibilidade de viver, mas, para analisar um caso assim, é preciso se despir de conceitos e preconceitos", afirma ela.

Chamado a se pronunciar, o Conselho Federal de Medicina (CFM) informa, em ofício datado de 30 de setembro, que a resolução 1.201 caminha para ser alterada. Foi aprovado em 2014 um parecer do conselheiro Carlos Vital propondo a revogação da 1.201, mas não há prazo para isso. "O CFM aguarda as conclusões das diretrizes orientadoras de seguras indicações de transfusões de sangue."

Tais diretrizes estão sendo elaboradas sob responsabilidade da sua Câmara Técnica de Hematologia e abrangerão todas as circunstâncias de transfusões sanguíneas, inclusive aquelas nas quais estarão envolvidas as questões dogmáticas.

"Após as conclusões, a plenária do CFM fará suas avaliações e emitirá uma pertinente resolução sobre as seguras indicações das transfusões de sangue", afirmou Carlos Vital em e-mail enviado pela assessoria do CFM.

O inquérito do caso Wolff havia sido arquivado em 2013 pelo procurador Alexandre Ribeiro Chaves, sob a argumentação de que o direito à vida deve prevalecer sobre a liberdade religiosa.

Na segunda instância, o procurador regional Rogério Nascimento desarquivou o caso em fevereiro deste ano citando, entre outros argumentos, um emitido em abril de 2010 pelo hoje ministro do Supremo Tribunal Federal Luís Roberto Barroso, a pedido da Procuradoria do Estado do Rio de Janeiro. Barroso considerou legítima a recusa de transfusão de sangue por parte das testemunhas de Jeová, entendendo que a decisão se funda no exercício de liberdade religiosa.

Nascimento alerta ainda para um ponto crucial, o inútil debate sobre a crença: "Não cabe análise sobre a razoabilidade da crença. Fosse assim, acabariam protegidas apenas as convicções religiosas mais ajustadas à conduta social dominante".

Para José Francisco Marques Júnior, médico do Hemocentro da Unicamp, integrante da Comissão de Hematologia do CFM e diretor da Associação Brasileira de Hematologia (ABHH), é necessário também que médicos avaliam a necessidade de transfusões. Ele cita estudos mostrando que 40% das transfusões feitas nos Estados Unidos são desnecessárias – não há dados do Brasil.

"Costumo recomendar uma conversa com o paciente, longe de parentes e líderes religiosos, para que ele entenda as consequências da decisão. O médico existe para salvar vidas. A melhor atitude é a que a consciência indica", afirma.



segunda-feira, 9 de novembro de 2015

O canal do YouTube que mostra todos os fundamentalismos religiosos praticados pelas Testemunhas de Jeová. 

Mais de 1500 pessoas inscritas, mais de 70 vídeos com depoimentos, documentários e denúncias.

Desde 2009 atuando contra as intolerâncias religiosas. 


INSCREVA-SE ABAIXO: