sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015


Pela primeira vez a liderança das Testemunhas de Jeová resolve falar sobre os casos de Pedofilia que estão sendo denunciados dia após dia em várias partes do mundo. Vale salientar a relevância de tal acontecimento, pois muitos de seus adeptos afirmavam categoricamente que toda essa publicidade na mídia era uma coisa inventada ou no máximo um caso isolado que envolvia algum adepto ou ex-adepto, mas muito distante dos portões das Testemunhas de Jeová.

A urgência de Stephen Lett, um dos membros do Corpo Governante (homens que se dizem ser os escolhidos de Deus para divulgar Sua mensagem na Terra) de fazer um pronunciamento oficial revela que a divulgação nos meios de comunicação e nas mídias sociais estavam e estão fazendo um grande estrago na imagem da Torre de Vigia.

Ele diz no vídeo:

"Como exemplo, pense sobre as mentiras e desonestidade de apóstatas de que a Organização de Jeová é permissiva com pedófilos. Isso é ridículo, não é?

Percebam que ele NÃO NEGA que existam casos de pedofilia dentro da organização das Testemunhas de Jeová, mas tenta desviar o foco afirmando que as Testemunhas de Jeová não possuem políticas internas que incentivam a omissão de denúncias contra os pedófilos. Complementa usando a tática mais comum quando o fundamentalismo religioso quer encerrar um assunto e não sabe como: criam um inimigo e o demonizam como originador de mentiras.
É falso porque vem dos apóstatas e opositores! Ou seja, é uma afirmação maniqueísta e simplista, mas basta para que muitos dos seus adeptos, condicionados a não pensarem por si próprios, acreditem e não pesquisem.

Sim, as Testemunhas de Jeová possuem casos de abuso sexual! E por que nunca foi comentado nas revistas ou publicações dessa denominação religiosa? Por que não alertaram seus adeptos dos perigos reais de existirem pedófilos atuando dentro das Congregações?

A resposta é simples e vergonhosa: a reputação da igreja está acima do bem estar de seus adeptos.

Créditos do Vídeo: TJ Curioso:



quinta-feira, 26 de fevereiro de 2015



Esse texto é mais indicado para pessoas que tem maioridade, pois algumas de suas sugestões não poderão ser aplicadas legalmente por menores.

Inicialmente, é muito importante que você tenha um objetivo final definido em sua mente. Você quer apenas parar de ir às reuniões ou quer sair totalmente da organização religiosa das Testemunhas de Jeová?

Algumas pessoas se sentem melhor ao fazer isso por etapas. No entanto, fique à vontade para fazer isso de uma única vez, caso não queira mais ter qualquer vínculo com essa denominação religiosa. É doloroso, mas a agonia de ficar anos em algo em que não acredita e que sabe ser cheio de equívocos e erros, pode ser muito pior.

Faça isso por você e não por sua relação com alguém. Se seus familiares pensam que sua decisão é uma influência de outra pessoa, então toda raiva e fúria deles, vão ser concentradas nessa pessoa. Isso não é justo. Você deverá mostrar que a decisão é sua e de mais ninguém. Então, nada de desculpas sobre o motivo real de você ter deixado a organização. Eles precisam entender que esta é uma decisão dolorosa feita somente após um exame longo e minucioso (em alguns casos após oração) de seus próprios sentimentos e crenças.

Talvez isto deva assumir a forma de uma reunião particular com seus parentes e amigos mais próximos. Você precisa contatar todos que serão diretamente afetados pela sua decisão e que gostaria de comunicá-los sobre algo muito importante. Defina um dia e um horário para isto. Assim você diz o que sente e se previne de boatos falsos que costumam surgir quando alguém tenta sair das Testemunhas de Jeová. O ideal é que não leve muito tempo do convite feito à reunião com seus parentes, pois isso pode gerar curiosidades, especulações e tensões desnecessárias. 

No dia da reunião, o passo seguinte é definir regras para que sua fala não seja interrompida bruscamente por alguém mais impulsivo ou agressivo, assim você terá as condições necessárias para dizer tudo que planejou. Embora possa ser tentador, não inicie atacando a Torre de Vigia citando fontes, livros ou mesmo sites considerados apóstatas, pois existe uma grande probabilidade da maioria se retirar da sua reunião nesse exato momento. 
É muito importante ter todo o conteúdo de sua palestra escrita num papel, pois as emoções poderão ficar mais afloradas e nossa memória e raciocínio tendem a ficarem mais vulneráveis nessas ocasiões.

Diga que você os convidou por serem pessoas especiais e que essa reunião é uma forma de você dizer como todos podem e devem tomar decisões importantes na vida. Continue afirmando que a espiritualidade é algo muito importante para você e que todos tem o direito de escolher e vivenciar suas crenças pessoais. Se for apropriado e do seu agrado, cite algum texto bíblico que tenha essa particularidade. Se você nasceu na organização, seria bom lembrar aos seus pais que eles tiveram a oportunidade de escolher como viver e no que acreditar. Eles tomaram suas decisões livremente e agora, por direito, é a sua vez de fazer isso.

Logo em seguida diga calmamente e olhando para todos que não deseja mais ser uma Testemunha de Jeová. Esse é um momento crítico, pois alguém poderá tentar impedir que você continue falando, então mude sua entonação e firmemente (mas ainda mantendo a calma) confirme que há muito tempo gostaria de revelar essa decisão, mas que não tinha tido a coragem de contar como realmente se sentia. 

É muito importante que você repetidamente diga o amor que sente por todos e que sua decisão de deixar a organização das Testemunhas de Jeová não muda em nada a sua relação com eles. A sua decisão não está rejeitando-os e sim um modo de vida dentro dessa denominação religiosa. Nesse momento faça uma pausa e espera a reação deles. Muito provavelmente haverá raiva, choro e acusações da parte de seus familiares e amigos. Não permita que isso faça você voltar atrás, não ceda. Você se preparou para esse momento.

O ideal é ter em mente e estar preparado para duas situações que podem ocorrer logo depois. Caso as coisas fiquem fora de controle e seus pais queiram expulsá-lo de casa: esteja preparado. Se isso acontecer, vá para a casa de um parente ou amigo não-Testemunha de Jeová.
Porém, se a reação for à tentativa de ajudá-lo a voltar para a organização e que pretendem chamar outros irmãos espirituais para lhe aconselhar talvez uma viagem seja algo sensato a fazer. Isto dá tempo para você se afastar da intensidade da situação gerada e para eles se acalmarem e lamentarem sua decisão. Isto é tão traumático como uma morte numa família de Testemunhas de Jeová. Dê tempo para eles superarem essa perda.

Checklist:
- Tenha dinheiro guardado.
- Esteja preparado para a possibilidade de ter que sair de casa na mesma hora.
- Deixe um parente ou amigo sabendo de sua decisão e faça arranjos para, se necessário, ficar um tempo na casa dele.
- Tenha um plano de ação sobre o que fazer após sua partida.
- Defina seu objetivo. Quer sair de vez ou apenas ficar inativo?
- Tenha um trabalho ou algum tipo de emprego. Depender financeiramente deles pode ser um grande problema após sua confissão.
- Tenha alguém com quem conversar (um confidente confiável) ou ajuda profissional, pois você também precisará de apoio emocional.

Saiba que os anciãos (pastores) locais serão notificados e irão atrás de você para conversar. Talvez tentem lhe dar umas cutucadas para que você diga algo que possam usar para desassociá-lo (expulsá-lo oficialmente). Se pretende ficar apenas inativo, tome cuidado com o que diz. Não cite nada sobre apostasia e nem confesse quaisquer pecados. Grave sua comissão judicial (tribunal interno das Testemunhas de Jeová), para que possa provar o que cada um deles disse e faça isso com seu advogado do lado.

Talvez amigos liguem para você vão perguntando se ficou louco. Uma armadilha comum dos anciãos (pastores) é pedir a um de seus amigos que ligue na tentativa de obter declarações que possam ser usadas contra você depois. Eles estarão junto com ele.

Perder a família e amigos para uma denominação religiosa que usa de fundamentalismo e intolerância religiosa é muito desgastante emocionalmente. Mas, a liberdade pessoal que você desfrutará fará valer a pena.
Conclusão do autor: "Eu, pessoalmente, não faria de outro modo!"

Algumas expressões foram adaptadas e outras modificadas para haver melhor compreensão. Texto traduzido por Mentalista.
Texto adaptado e modificado por Pascoal Naib.


terça-feira, 24 de fevereiro de 2015


Há muito tempo venho relatando que conheço várias Testemunhas de Jeová que gostariam que muitas coisas fossem mudadas dentro dessa denominação religiosa, mas que não podem expor suas ideias ou opiniões sob o risco de serem consideradas rebeldes e assim serem expulsas (desassociadas) e perderem contatos com amigos e familiares. Ou seja, são reféns de um fundamentalismo religioso que usa a discriminação e a morte social como forma de aterrorizar qualquer tentativa de humanizar seus dogmas. Já venho explicando que as Testemunhas de Jeová são orientadas a não falar com ex-adeptos mesmo sendo familiares próximos numa tentativa, desumana e desrespeitosa, de que o mesmo volte, não importando que não acredite em mais nada do que é ensinado ali. Voltam para não perder o contato com seus amigos e familiares. No Fórum Ex-Testemunhas de Jeová recebemos um depoimento de um Ancião (Pastor) dessa denominação religiosa que relata:

Olá pessoal! Tenho servido como ancião (pastor) numa congregação das Testemunhas de Jeová pelos últimos 15 anos. Não posso dizer que já vi de tudo, pois a cada ano sou surpreendido por mais elementos procedimentais e doutrinários, criados pelo Corpo Governante, que me deixam cada vez mais desiludido.Minha desilusão com a Organização conduzida por este grupo de homens é resultado de um processo que se estende já por alguns anos. Desde 2010 dedico-me com especial afinco ao estudo da Bíblia. Tive meu primeiro choque com as doutrinas ensinadas pelo Corpo Governante naquele mesmo ano, durante minha pesquisa relacionada com a carta de Paulo aos Romanos. Tentei sem êxito, mas de muitas formas, conciliar aquilo que a Bíblia ensina sobre, por exemplo, justificação e filiação, com a doutrina despachada por Brooklyn, mas não consegui. Com a continuidade dos meus estudos - e devo dizer que jamais busquei neste período informações de fontes consideradas apóstatas pelos dirigentes das Testemunhas de Jeová -, passei a me deparar com uma ampla gama de doutrinas Bíblicas claras e que tem a sua importância minimizada ou mesmo virtualmente apagada pela liderança TJ. Espero, com o tempo, poder abordar algumas destas aqui. Mais recentemente, já após minha desilusão ter amadurecido, decidi ler os livros de Raymond Franz, Crise de Consciência e Em Busca da Liberdade Cristã, bem como o livro do sueco Carl Olof Jonsson, Os Tempos dos Gentios Reconsiderados, e fiquei simplesmente estarrecido, não apenas com aquilo que descobri, mas especialmente pela quase totalidade de harmonia entre aquilo em que realmente creio e as coisas entendidas pelos autores. Elementos que eu considerava gravemente ofensivos à Deus, tais como a obsessiva ênfase da organização sobre sua autoridade e importância para a salvação dos discípulos de Cristo, foram abordados de maneira perfeita por Franz. As relações mecânicas, controladas e insípidas entre os membros da religião, a exigência de absoluta conformidade com padrões excêntricos e extra-bíblicos, a manipulação de informações e, claro, as terríveis injustiças promovidas pelo sistema judicial criado pela liderança TJ, essas e muitas outras coisas, produziram em mim uma desilusão completa. De modo que não posso mais adotar o conceito de que esta organização tem direito à pretensão de ser o canal exclusivo entre Deus e homens, quase que, ou virtualmente substituindo, o próprio Cristo e o espírito de Deus na terra. Creio que serei entendido aqui quando digo que não posso simplesmente deixar as fileiras das TJ's. Não por causa de mim, claro. Faço o sacrifício de ficar por razões sobre as quais não gostaria de comentar agora. Confio que não serei julgado adversamente por isso aqui. Espero, no entanto, poder em breve, sob novas circunstâncias, poder anunciar meu desligamento deste movimento religioso. Enfim, esta breve apresentação é somente para dizer: olá pessoal, é um prazer estar aqui com vocês!

Matéria retirada do Fórum Ex-Testemunhas de Jeová:


quinta-feira, 19 de fevereiro de 2015






Achei esse vídeo num grupo do Facebook da qual fazem parte Testemunhas de Jeová e Ex-Testemunhas de Jeová e que foi postado pelo amigo Alexandre Weisshuhn. O que tem de interessante nele?

Bem, uma jovem que foi criada até os 17 anos numa família de Testemunhas de Jeová vê seu mundo virar de ponta cabeça quando seus pais se divorciam e ela e sua mãe resolvem sair dessa denominação religiosa e o pai permanecer.

Já não bastasse o desgaste emocional de uma separação o fato é que as Testemunhas de Jeová incentivam e exigem de seus adeptos um total isolamento de quem resolve sair, ou seja, quem não deseja mais pertencer a essa religião vai ser discriminado e ignorado por amigos e familiares que não vão mais nem sequer dizer um "Oi" na calçada para você.

Exagero? Pois bem, no vídeo a jovem Sehziinha afirma que seu pai (ainda adepto das Testemunhas de Jeová) evita ter contato com ela por estar seguindo as leis de Deus, mas leia-se nas entrelinhas, seguindo as ordens de uma religião americana que com seus fundamentalismos destrói famílias.

Será que estamos exagerando? Que isso não acontece? Vamos ver a orientação sendo dada numa das publicações das Testemunhas de Jeová:

*** Nosso Ministério do Reino 8/02 p. 3 par. 4 Demonstre lealdade cristã quando um parente é desassociado ***E quanto a falar com o desassociado? Embora a Bíblia não trate de cada situação possível, 2 João 10 nos ajuda a entender o conceito de Jeová sobre a questão: “Se alguém se chegar a vós e não trouxer este ensino, nunca o recebais nos vossos lares, nem o cumprimenteis.” Comentando isso, A Sentinela de 15 de dezembro de 1981, na página 21, diz: “Um simples ‘Oi’ dito a alguém pode ser o primeiro passo para uma conversa ou mesmo para amizade. Queremos dar este primeiro passo com alguém desassociado?”

Quanto mais pessoas forem alertadas dessa prática discriminatória mais apoios receberemos para que a nossa Justiça acorde diante de tais barbaridades frutos de um fundamentalismo religioso nocivo.


quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015


"O instituto do asilo é tão antigo como a humanidade e, nasce do instinto de conservação, própria do ser humano, que foge do perigo e da morte, com o propósito de encontrar um lugar que lhe ofereça a proteção necessária à sua integridade física. Asilo sagrado, propriamente dito, era privilégio de poucos templos e significava a imunidade total daqueles que fossem acolhidos, independentemente se fossem culpados ou inocentes".

Ainda que legalmente já não exista tal direito do asilo sagrado em nosso século XXI, as Testemunhas de Jeová tentam se amparar numa leitura “desvirtuada” do direito a liberdade religiosa para poder sistematicamente boicotar uma colaboração com a justiça e com a polícia nos casos de abusos sexuais de menores dentro de sua instituição religiosa, resultando de fato numa espécie de asilo “sagrado" para os molestadores sexuais de crianças.

Por este motivo a organização sem fins lucrativos “The Center for Investigative Reporting”, denuncia que a denominação religiosa das Testemunhas de Jeová tenta se amparar na 1ª Emenda da Constituição dos EUA para não colaborar com a justiça ou com a polícia nos casos de abusos sexuais de menores dentro do âmbito de sua comunidade religiosa. Esta emenda constitucional proíbe a criação de uma lei que limite a liberdade religiosa. Num longo artigo em inglês, o jornalista Trey Bundy, pesquisou durante 10 meses para escrever o seguinte:

14 de fevereiro de 2015

Durante 25 anos, os líderes das Testemunhas de Jeová, uma das confissões religiosas mais fechadas do mundo, têm ordenado a seus pastores religiosos [denominados de anciãos] que mantenham em segredo os casos de abusos sexuais relativos a menores, não revelando as autoridades e forças de segurança do Estado, nem aos próprios membros de suas comunidades religiosas locais.

A matriz da organização religiosa, a Watchtower Bible and Tract Society instalada em Nova York, emitiu as suas filiais pelo menos dez memorandos que datam de 1989. Apesar de os memorandos estarem escritos de forma anônima, membros da Watchtower (Torre de Vigia) têm testemunhado que o Corpo Dirigente da organização aprovou todos eles.
A carta mais recente, datada de 6 de novembro de 2014, ordena aos anciãos (os pastores religiosos nas comunidades locais) a formar comitês judiciais para tratar internamente de potenciais delitos [qualificados no Código Penal]:

"Em alguns casos, os anciãos formarão um comitê judicial para tratar um suposto caso de má conduta que também pode constituir um delito qualificado no Código Penal (por exemplo: assassinato, violação, abuso sexual de menores, fraude, roubo, agressão)", ordena a carta. "De maneira geral, os anciãos não devem atrasar o processo do comitê judicial, mas deve-se manter sigilo absoluto para evitar complicações desnecessárias com as autoridades seculares que podem estar a investigar tal delito".
A carta está disponível nesse link abaixo:
https://www.documentcloud.org/documents/1667064-watchtowernov62014.html

Internamente, a organização, a Watchtower (Torre de Vigia) determina quem pode ser denominado de molestador sexual em série de menores. Segundo a carta com data de 1 de outubro de 2012:
"Nem todos aqueles que têm abusado sexualmente de uma criança no passado são considerados molestadores. Somente a Watchtower (Torre de Vigia) e não o corpo de anciãos (pastores), será quem determinará quem no passado tenha abusado sexualmente de menores".

As orientações das cartas são parte de um padrão de uma organização, que tem mais de oito milhões de membros no mundo e que prega que o Armagedom em breve libertará as pessoas das garras de Satanás. Nos EUA as Testemunhas de Jeová operam em mais de 14.000 congregações com aproximadamente um milhão de membros.
Documentos internos obtidos por “Reveal” demonstram que as Testemunhas de Jeová sistematicamente têm instruído aos anciãos (pastores) e outros líderes para que os abusos sexuais de crianças sejam tratados confidencialmente, enquanto coletam detalhadas informações dos adeptos que se aproveitaram das mesmas.

Como anteriormente obtiveram sucesso amparando-se na 1ª Emenda da Constituição americana em defesa de seu direito de não servir ao exército e nem saudar a bandeira dos EUA, as Testemunhas de Jeová atualmente tentam usar a mesma estratégia legal para defender políticas que amparam molestadores sexuais em série frente às forças e instituições de segurança do Estado.

Texto baseado no artigo "Asilo en sagrado, la 1ª Enmienda y los testigos de Jehová".

Parágrafo inicial retirado do texto "As origens históricas do direito de asilo".





A rede de televisão norte-americana PBS NewsHour, em parceria com o Reveal, do Centro de Reportagem Investigativa, fez uma reportagem sobre as políticas de confidencialidade da Torre de Vigia (representante legal das Testemunhas de Jeová) que acobertam pedófilos nas congregações, mantendo-os longe dos radares da lei e permitindo que continuem molestando crianças. Além disso, uma entrevista comovente com Candace Conti, vítima de abuso sexual que balançou as estruturas da Torre de Vigia ao fazê-la ser considerada culpada de negligência e condenada a pagar US$ 15 milhões de dólares pelos danos sofridos a Candace.
Sobre esse caso leiam o artigo abaixo:
LÍDERES DAS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ RECORREM NA JUSTIÇA PARA NÃO PAGAR INDENIZAÇÃO POR CASO DE PEDOFILIA!

Créditos ao forista Robert Orwell do Fórum Ex-Testemunhas de Jeová.



segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015


Não havia desejado um feliz 2015 para todos que visitam o Blog Ex-Testemunhas de Jeová, mas a razão alguns com certeza já perceberam: demos uma incrementada e um novo aspecto visual para nosso ponto de encontro sobre assuntos relacionados ao “universo” das Testemunhas de Jeová. 

Nosso Blog foi fundado em 23/02/2007, ou seja, ele vai completar oitos anos de atuação intensa e séria contra determinadas intolerâncias religiosas que são praticadas pela denominação religiosa que leva o nome do Blog. Ao contrário do que muitas vezes é comentado por alguns visitantes, não temos a intenção e nem o direito de perseguir ou difamar a fé de ninguém, ao contrário, nosso lema é respeitar toda forma de crença e não crença, porém denunciamos através de textos, vídeos e documentos tudo que vá contra a dignidade de uma pessoa. Nossa atenção está concentrada em coibir práticas que de alguma forma beneficiem o encobrimento de pedofilia por parte das lideranças religiosas das Testemunhas de Jeová, além de denunciar doutrinas abusivas que não incentivam o ensino superior, que discriminam ex-adeptos decretando uma morte social que destrói famílias, além da doutrina assassina do sangue que levam fiéis a morte pensando estar agradando a Deus. 

Desde do ano 2000 participo de Fóruns, grupos e listas de discussão e luto para que as lideranças das Testemunhas de Jeová recuem nos absurdos propostos em determinados assuntos. Não podemos nos calar diante de injustiças e somente unindo esforços podemos, se não acabar, pelo menos amenizar essas práticas intolerantes. Essa luta não é só minha e prova disso é a contribuição regular de ex-Testemunhas de Jeová e de Testemunhas de Jeová ativas que reconhecem e apoiam o meu trabalho. 

As mudanças no Blog ainda não foram inteiramente finalizadas, mas estou trabalhando para que fique o mais prático e acessível para todos que nos visitam. Suas opiniões são muito bem vindas e o contato continua sendo pascoalreload@gmail.com 

Um ótimo 2015 para todos que nos visitam.


quarta-feira, 17 de dezembro de 2014


O caso “Candace Conti” (vítima de abuso sexual) contra “Torre de Vigia” (liderança das Testemunhas de Jeová no mundo) segue seu curso inevitável de justiça. Está mais vivo do que nunca! 
 
A liderança mundial das Testemunhas de Jeová tenta uma apelação da sentença judicial que a condenou pagar 27 milhões de dólares a Candace Conti, uma ex-adepta que sofreu abuso sexual quando tinha nove anos e que na época pertencia a denominação religiosa em questão. Para ver a matéria sobre essa decisão inédita clique no link abaixo:


Porém, tal atitude repercutiu no noticiário mundial e algo inesperado ocorreu para a liderança das Testemunhas de Jeová: a emissora ABC News (uma das quatro maiores dos Estados Unidos) solicitou ao tribunal permissão para gravar e transmitir todas as audiências desse épico julgamento. A solicitação foi feita no dia 08/12/2014 e as imagens estão colocadas logo abaixo:



Com certeza esse tipo de exposição ajudará mais vítimas a denunciarem outros casos encobertos e levará um recado direto e forte de que nenhuma igreja poderá usar de sua influência para com seus adeptos e com isso manter uma política de “encobrimento” de pedofilia com receio de manchar sua imagem perante a opinião pública.

Texto baseado no artigo: Caso Candace Conti... ¡más vivo que nunca!


segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


Poucos autores de língua inglesa são mais importantes na atualidade do que Ian McEwan. Em quarenta anos de carreira, ele compôs marcos da literatura contemporânea, como Amor sem fim (1997), Amsterdam (1998) e Reparação (2001).
Seus livros são conhecidos pela precisão da prosa, pela atmosfera de suspense e estranhamento e também pelas viradas surpreendentes da trama, que puxam o tapete do leitor ao final do livro.
Nos últimos anos, o traço decisivo de sua literatura tem sido a defesa da racionalidade científica contra os fundamentalismos religiosos. É esse o embate que está no cerne de A balada de Adam Henry.
A personagem central é Fiona Maye, uma juíza do Tribunal Superior especialista em Direito da Família. Ela é conhecida pela “imparcialidade divina e inteligência diabólica”, na definição de um colega de magistratura. Mas seu sucesso profissional esconde fracassos na vida privada. Prestes a completar sessenta anos, ela ainda se arrepende de não ter tido filhos e vê seu casamento desmoronar.
Assim que seu marido faz as malas e sai de casa, Fiona tem de lidar com o caso de um garoto de dezessete anos chamado Adam Henry. Ele sofre de leucemia e depende de uma transfusão de sangue para sobreviver. Seus familiares, contudo, são Testemunhas de Jeová e resistem ao procedimento.
O dilema não se resume à decisão judicial. Como nos demais casos que julga, Fiona argumenta com brilho em favor do racionalismo e repele os arroubos do fervor religioso. Mas Adam se insinua de modo inesperado na vida da juíza. Revela-se um garoto culto e sensível e lhe dedica um poema incisivo: “A balada de Adam Henry”.
Os sentimentos despertados pelo garoto a surpreendem e incomodam. A crise doméstica e o envolvimento emocional com Adam - que oscila entre a maternidade reprimida e o desejo sexual - desarrumam sua trajetória de vida exemplar, trilhada com disciplina espartana desde a infância.

“Um estudo assombroso sobre o amor em crise e uma mulher madura no limite de suas forças.” - Robert McCrum, The Observer
http://www.companhiadasletras.com.br/de ... digo=13808


domingo, 7 de dezembro de 2014


Passados 12 anos, pai e filho se reencontram. O que parece ser mais um caso de programa de auditório em que familiares por algum motivo perderam o contato por décadas e depois resolvem recuperar o tempo perdido indo em busca de suas origens se mostra um assombroso engano nessa história.
Cícero Barbosa Alves (pai) era adepto da denominação religiosa Testemunhas de Jeová e quando saiu dessa religião, seu filho e toda a família que continuariam pertencendo a igreja, seguiram as diretrizes rígidas e desagregadoras de não falar mais com um ex-adepto. Ou seja, as Testemunhas de Jeová decretam uma morte social para quem ousa sair e todos amigos e parentes são orientados a não ter mais nenhum tipo de convívio o  que significa nem mesmo dirigir um simples "Oi". 

O relato de Cícero Barbosa Alves segue abaixo:

Um sábado de muita felicidade pois, depois de 12 anos finalmente tive um dia com meu filho. Fiz um belo churrasco para comemorar este dia, que foi o primeiro de muitos que virão com muita fé em Deus. Como todos aqui já sabem eu perdi o contato com meus filhos quando eu resolvi sair fora da seita Testemunhas de Jeová (Torre de Vigia ). Perder o contato com os meus filhos me trouxe muito sofrimento mas, graças a Deus ele saiu fora da Torre de Vigia e hoje está desassociado (membro "desligado") e estamos nos vendo mais. Hoje ele passou o dia em minha casa e falamos sobre várias coisas. Estou muito feliz por tudo o que esta acontecendo comigo. Como foi importante pra mim ter acreditado e ter tido a esperança.

A desculpa da igreja é estar seguindo orientações bíblicas, mas como bem sabemos todo fundamentalismo religioso tende a desvirtuar qualquer tipo de situação para respaldar suas barbáries teológicas. Sempre comprovamos nossos textos com artigos da própria religião, ou seja, a discriminação a ex-adeptos (até mesmo sendo familiares próximos) é realmente incentivada no dia a dia das Testemunha de Jeová. Vejamos isso na revista A Sentinela 15 de Abril de 2012 págs 11 e 12:

Que dizer se um parente ou um grande amigo nosso for desassociado? Nesse caso, a nossa lealdade será provada, não a lealdade a essa pessoa, mas a Deus. Jeová nos observará para ver se acatamos, ou não, seu mandamento de não ter contato com nenhum desassociado. Vejamos apenas um exemplo do bem que pode resultar de a família apoiar lealmente a ordem de Jeová de não se associar com parentes desassociados.
Certo jovem estava desassociado havia mais de dez anos e, durante esse período, seu pai, mãe e quatro irmãos 'cessaram de ter convivência’ com ele.`As vezes, ele tentava se envolver nas atividades da família,mas, para crédito dela, todos os seus membros evitaram firmemente qualquer contato com ele. Já readmitido, ele disse que sentia muita falta da associação com a família, em especial à noite, quando ficava sozinho. Mas ele admitiu que, se a família tivesse se associado com ele, mesmo só um pouco, essa pequena dose o teria satisfeito. No entanto, ele não recebeu nem mesmo a menor comunicacão de qualquer membro da família. Assim, seu forte desejo de estar com seus familiares contribuiu para a restauração de sua relação com Jeová. Pense nisso se algum dia você for tentado a violar o mandamento divino de nãoo se associar com parentes desassociados.


Cada vez mais devemos denunciar qualquer tipo de fundamentalismo religioso que atente contra a dignidade humana e que destrói famílias. 



quarta-feira, 19 de novembro de 2014



Muitos já sabem ou devem ter visto na imprensa que as Testemunhas de Jeová são contra qualquer transfusão sanguínea, mesmo que isso resulte na morte da pessoa, ou seja, é uma decisão baseada na interpretação de um texto bíblico imposta pela liderança dessa denominação religiosa e que já resultou na morte de muitos inocentes.

O que poucos sabem é que as lideranças das Testemunhas de Jeová tem o hábito de tempos em tempos modificarem o entendimento de algumas doutrinas com a desculpa de um aperfeiçoamento teológico. Mas, se essas mudanças ocasionaram risco à saúde ou mesmo levaram a morte de pessoas inocentes que achavam estar seguindo as orientações da Bíblia e de Deus, como encarar isso?

É o que ocorre com a questão dos transplantes de órgãos. Recentemente numa carta enviada para a filial da Espanha, a Torre de Vigia (representante legal das Testemunhas de Jeová no mundo) está em contato com a ONT (Organização Nacional de Transplantes) numa tentativa de fazer com que seus adeptos entrem na lista de espera para transplantes, pois a rejeição das transfusões de sangue sempre foi um impedimento para seus adeptos terem uma possibilidade de tratamento ou até mesmo em alguns casos de sobrevida. A carta encontra-se no link abaixo:

Se existe essa preocupação de ajudar adeptos a terem uma chance de fazer um transplante o porquê do artigo? 

Porque a orientação dada as Testemunhas de Jeová era bem diferente e por mais de uma década o transplante de órgãos foi considerado canibalismo pela Torre de Vigia.

Em 1962 não existia nenhuma proibição de se fazer transplantes e isso foi citado na revista A Sentinela 01/02/1962 pág.96:

“Entretanto, não parece haver nenhum princípio ou lei bíblica envolvida. É, portanto, algo que cada pessoa deve decidir por si mesma. Se ela estiver satisfeita em sua própria mente e consciência que isto seja coisa correta a fazer, então poderá fazer tais arranjos, e ninguém a deveria criticar por assim fazer”.

A partir de 1968 vem a proibição dos transplantes de órgãos e que se manterá até 1980, ou seja, doze anos de muitas vidas desperdiçadas, famílias pesarosas e sacrifícios humanos em nome de um dogma inventado por pessoas que brincam de deuses. Isso se chama culpa de sangue. Segue abaixo a proibição na revista A Sentinela 01/06/1968 págs.349-351:

"Aqueles que se submetem a tais operações vivem às custas da carne de outro humano. Isso é canibalesco. Não obstante, ao permitir que o homem comesse carne animal, Jeová Deus não deu permissão para os humanos tentarem perpetuar suas vidas por receberem canibalescamente em seus corpos a carne humana, quer mastigada quer na forma de órgãos inteiros ou partes do corpo, retirados de outros".

Logo em seguida mais uma mudança que volta a liberar os transplantes de órgãos para os adeptos das Testemunhas de Jeová em 1980 na revista A Sentinela 01/09/1980 pág.31:

"No que se refere ao transplante de tecido ou osso humano de um humano para outro, é um caso de decisão conscienciosa de cada uma das Testemunhas de Jeová. Por este motivo, cada um que se confronta com uma decisão sobre este assunto deve examinar esta questão com cuidado e oração, decidindo então conscienciosamente o que ele ou ela pode ou não pode fazer perante Deus. É um assunto para decisão pessoal. (Gál. 6:5) A comissão judicativa da congregação não tomaria nenhuma ação disciplinar, se alguém aceitasse o transplante dum órgão".

Será que o Deus que não é de desordem (1Co 14:33) orientou essas decisões errôneas? Será que o Deus de amor (1Jo 4:8) daria uma orientação que prejudicasse a vida e a saúde de seus servos leais? Que o leitor use de discernimento.



OBS: Texto baseado no artigo do Blog espanhol El lado cómico de la WatchTower.

Leia também para mais detalhes:


sexta-feira, 14 de novembro de 2014



Recebi uma mensagem via Facebook de um antigo colaborador do Fórum Ex-Testemunhas de Jeová me pedindo para publicar a carta de um amigo que resolveu se dissociar (pedir desligamento) das Testemunhas de Jeová e que gostaria que isso fosse feito no meu Blog. Na carta é relatado vários pontos para sua saída, mas fiz questão de salientar no título a questão da homofobia, pois se trata de um tema atual, principalmente aqui no Brasil. 

Segue abaixo a carta:



Meu nome é Welber Mascarenhas Dias, nasci e cresci dentro de um lar de Testemunhas de Jeová. Pai, mãe, avós, tios, primos. Uma grande e exemplar "família cristã". Quando se nasce nessas condições, você não tem muita escolha. Livre-arbítrio acaba virando piada e ilusão. É verdade que é a própria pessoa quem decide se batizar (momento em que você se oficializa como Testemunha de Jeová), porém batizar-se é tudo que se espera de um jovem que "nasceu na verdade". Sim, você acaba sendo coagido. Você tem o direito de escolha, mas todos os "irmãos" esperam que você escolha o batismo, toda a sua família espera que você faça isso. É o que todos os outros jovens de lá de dentro fazem, e se você não é batizado, você é o patinho feio. As pessoas te olham como se houvesse algo errado com você. Rola uma discriminação interna, e que fica pior a medida que você cresce.
Bem, por vários anos eu fui o patinho feio. Até acreditava que tudo que as Testemunha de Jeová ensinavam era verdade absoluta. Mas eu simplesmente não me encaixava. Então adiei o tanto quanto pude o batismo. E as pessoas começaram a reparar. Começaram a falar mal. Meu pai foi ameaçado de ser destituído do cargo de ancião (um equivalente aos pastores das igrejas evangélicas). Eu não queria me batizar pois sabia que Jeová Deus não ia me aceitar. Por que? Porque aprendi que Deus não gosta de homossexuais. E sim, eu sou gay. Adiei esse batismo o tanto quanto pude.
Entretanto, em 2009 eu me senti tocado por Jeová Deus. Acreditei que eu poderia suprimir qualquer "tendência errada", e resolvi finalmente tentar. No dia 21 de novembro de 2009, fui batizado no Salão de Assembleias das Testemunhas de Jeová de Goiânia, Goiás. Houve grande regozijo na congregação de Deus neste dia, afinal eu estava fazendo a única escolha certa. Por dois anos, consegui cumprir bem meu papel como Testemunha de Jeová. Mas aquele não era eu. Aquele era quem eu tinha que ser. Tudo que eu realmente gostaria de fazer era errado e me era proibido.
A medida que o tempo foi passando, eu conseguia esconder meu jeito alegre e espontâneo cada vez menos. Eu atraía muita gente de espírito jovem. Mas os mais fanáticos queriam distância de mim, pois eu representava um perigo para a espiritualidade deles. Eu descobri que eu nunca deixara de ser aquele patinho feio. Com o tempo, acabei me envolvendo em um proceder pecaminoso com outro irmão da congregação. Nós dois fomos punidos, com uma repreensão. Uma repreensão é quando você é impedido de executar seus "privilégios" como Testemunha de Jeová. Para isso, precisei passar por uma Comissão Judicativa, formada por três anciãos, onde eu tive que confessar meus pecados em detalhes. Me senti envergonhado. Enquanto eu esperava do lado de fora do Salão do Reino a decisão, eu chorei muito, me senti indigno perante Deus, humilhado. Quando me chamaram e deram o veredicto, de que não iam me desassociar (expulsar), apenas me repreender, fiquei muito feliz! Afinal eu não queria ser expulso. Ser expulso significaria uma humilhação pública, onde todos os meus amigos e familiares virariam as costas pra mim até que eu voltasse.
Mais uma vez, tentei harmonizar minha vida com a maneira que as Testemunhas de Jeová ensinam a Bíblia. Eu estava disposto a tentar de novo, e a suprimir de uma vez por todas o verdadeiro eu. Mas o que aconteceu a seguir? Aconteceu que o assunto tradado na minha comissão começou a se espalhar dentro da congregação, e bem rápido. Poucos meses depois da minha repreensão as pessoas comentavam sobre o meu caso pelas minhas costas. Amigos começaram a me excluir do Facebook, e eu sofria muito com essa rejeição, que aconteceu bem antes de eu deixar de ser Testemunha de Jeová. Tudo que eu sempre quis enquanto estive lá dentro, foi ser aceito. Então comecei a reparar que os membros dessa instituição religiosa não são assim tão amorosos, que quando você segue a risca o padrão, está tudo bem, e eles te abraçam. Mas se você não consegue se adequar, eles vomitam a Bíblia em você, te rejeitam, fazem circular boatos sobre você, e te excluem. Isso tudo me levou a um quadro de depressão. Três tentativas de suicídio. Várias brigas em casa. E muito, muito tempo perdido. 
Com acompanhamento psicológico, comecei a melhorar. Descobri que fora da Organização de Jeová existem sim pessoas que sabem amar, e pessoas boas. Comecei a pesquisar mais profundamente a Bíblia, e descobri que as Testemunhas de Jeová não são as donas da verdade. Encontrei várias incongruências nos ensinos das mesmas. Além disso, com uma pesquisa mais pormenorizada, percebi que é irracional viver no século XXI baseando toda a sua vida em um livro escrito para uma sociedade que viveu há cerca de 2.000 anos atrás. A partir do momento que a Bíblia passou a ser um livro de histórias (algumas fantasiosas), passei a achar ainda mais ridículo o modo de vida ao qual eu estava tentando tanto me adequar.
Mas afinal, o que é realmente ser uma Testemunha de Jeová. Bem, na verdade trata-se mais de uma lista de proibições absurdas. Vou citar algumas:
- Proibido comemorar aniversários, celebrar o natal, ano novo, carnaval, dia das bruxas, festas juninas, páscoa, ou qualquer outra celebração. Proibido ter amizade com pessoas que não são Testemunhas de Jeová, namorar com pessoas que não são Testemunhas de Jeová, ter relações sexuais antes do casamento. Proibido participar de competições esportivas, ir a festas que tenham muitas horas de duração, ir a shows.
E o que é fortemente desencorajado?
Fazer um curso superior, pois este mundo está perto do fim e não é hora pra isso. Buscar ter uma carreira de sucesso, pois este mundo está perto do fim e não é hora pra isso. Ter filhos, pois este mundo está perto do fim e não é hora pra isso.

E quanto ao que é fortemente INCENTIVADO?
Pregar de casa em casa, avisando as pessoas que a religião delas está errada e que o mundo está acabando. Ler a Bíblia todos os dias. Quando lê-la de capa a capa, começar de novo. Gastar horas estudando as publicações das Testemunhas de Jeová. 

Se você faz tudo isso, parabéns! Você é o que é considerado uma genuína Testemunha de Jeová. Você nem sequer vai pensar em buscar os prazeres do mundo, e Deus estará sorrindo pra você de orelha a orelha. E sabe porque não buscará os prazeres do mundo? Porque não vai sobrar tempo! Eu sei que essa decisão minha me coloca em uma posição bastante desfavorável aos olhos da minha família.




sexta-feira, 3 de outubro de 2014


O poderoso documentário finlandês "Luopuneet" (Abandonados - Histórias obscuras da Torre de Vigia), produzido pelo diretor Iita Pirttikoski, conta histórias de quatro ex-Testemunhas de Jeová.

É mostrado como funciona o tratamento discriminatório dado a ex-adeptos dessa denominação religiosa e o que essas pessoas passaram e passam no seu dia a dia após deixarem de ser Testemunhas de Jeová.

Imaginem ser desprezados por amigos e familiares que nem sequer podem cumprimentá-los na rua, simplesmente porque você não pertence mais a mesma religião. O documentário faz um contraste entre os sentimentos de tristeza, confusão e depressão de muito ex-adeptos com o depoimento “agradável” e “técnico” do representante oficial das Testemunhas de Jeová que tenta justificar tais atitudes intolerantes da sua denominação religiosa.

OBS: A tradução desse documentário finlandês de 27 minutos é de total crédito do nosso amigo e forista Mentalista que não mediu esforços e tempo para nos oferecer mais um material de divulgação contra os absurdos da Torre de Vigia. Quero agradecer muitíssimo a sua ajuda e dedicação. Desde já aproveito e convido a outros colegas que possam nos ajudar com traduções a entrar em contato comigo via Mensagem Privada. Toda ajuda é muito bem vinda!



segunda-feira, 22 de setembro de 2014


Uma família de Testemunhas de Jeová impediu que uma mulher de 37 anos recebesse transfusão de sangue e a retirou da Santa Casa de Rio Preto. A paciente, que veio de Recife, estava com um mioma, que provoca sangramento no útero, e grau de anemia acentuado. 

De acordo com o médico cirurgião geral do hospital, que atendeu a paciente e pediu para o nome não ser divulgado, a mulher passou por consulta, na clínica dele. “Eu não sei por que me procurou. A família disse que era do Recife e que os médicos não queriam operar a paciente lá. Olhei os exames e vi que o caso era grave.” 

O médico aconselhou que a mulher fosse internada e operada, com urgência. “Enquanto ela era preparada para o procedimento, no centro cirúrgico, chegou o resultado do exame de sangue. Além do mioma, ela estava com uma anemia acentuada e precisava de transfusão de sangue”, conta o cirurgião geral. 

A família foi comunicada pelo médico da necessidade da transfusão. Durante meia hora, eles discutiram sobre a necessidade do procedimento. “Eles disseram que não autorizariam a transfusão. Eu tentei convencer que o quadro clínico dela era grave e precisaria de sangue. Escutei de um dos parentes que ‘se for para morrer, é melhor que ela morra em casa, em nome de Jeová, mas não será feita a transfusão’.” 

Diante da recusa do procedimento, a família foi obrigada a assinar um termo de responsabilidade. “Não deu tempo de transferir a paciente para outro hospital. Eles simplesmente pegaram a paciente e foram embora. Eu não podia fazer o procedimento sem a autorização da família, diante do fanatismo religioso da parte”, disse o médico. 

Segundo o provedor da Santa Casa, Nadim Cury, o atendimento da paciente foi realizado no sistema particular. “Todo o dinheiro que foi pago pela internação e procedimento foi devolvido para a família. Essa situação é muito rara de acontecer. Não podíamos fazer nada diante do posicionamento deles”. O diretor não informou o valor pago. 

O cirurgião geral do hospital registrou um boletim de ocorrência de “preservação de direito” e acusou a família de omissão de socorro. “Eu trabalho para salvar vidas e elas têm de estar acima de qualquer religião. Não podia fazer nenhum procedimento forçado, mas alertei que o caso era grave e que a paciente corria risco de morte. Não faço ideia de onde ela esteja nem se está viva. Espero que sim.” 

Família 

O Diário entrou em contato com um homem, que se apresentou como “irmão na fé” dos parentes da paciente. Identificado apenas como “Cavalcante”, ele era o único contato que constava no boletim de ocorrência registrado pelo médico na polícia. O homem, porém, não quis falar sobre o assunto. Disse, somente, que a família está empenhada no atendimento da mulher e que um novo médico já foi encontrado. Ele não disse em que hospital ela está internada. 

Pacientes escolhem ‘morrer aos poucos’ 

O hepatologista Renato Silva, ouvido pelo Diário na condição de consultor, afirma que o médico da Santa Casa agiu de forma correta. “O profissional tem de sempre respeitar a autonomia do paciente e da família. Até porque, uma transfusão escondida poderia resultar em um transtorno para o paciente. Ainda mais quando se trata de um paciente Testemunhas de Jeová, em que a religião não aceita esse tipo de procedimento.” 

Silva destaca que é muito comum pacientes Testemunhas de Jeová optarem pela recusa do tratamento. “No Hospital de Base já acompanhei diversos pacientes que escolheram morrer aos poucos ao invés de uma transfusão ou transplante. Essa decisão é uma autonomia do doente. O médico só tem o dever de aconselhar o melhor, mas não forçar a nada.” 

O hepatologista explica que “é de direito do médico se recusar a fazer a cirurgia sem a transfusão. O profissional sabe qual a necessidade do paciente e se submeter a fazer uma cirurgia sem a transfusão seria um risco. Assim como o paciente pode escolher, o médico tem o mesmo direito. Agora, a família precisa encontrar o profissional que aceite fazer o procedimento sem utilizar o sangue.” 

Médicos sim, sangue não 

Para as Testemunhas de Jeová, a recusa à transfusão de sangue é mais uma questão religiosa do que médica. Tanto o Velho como o Novo Testamento da Bíblia prega, segundo eles, que se abstenham de sangue, segundo o site oficial da religião (http://www.jw.org/pt/ ). Além disso, eles entendem que para Deus o sangue representa a vida. Eles evitam tomar sangue, por qualquer via, não só em obediência a Deus, mas também por respeito a Ele como Doador da vida. 

Diante desta linha de pensamento, as Testemunhas de Jeová optam por técnicas médicas que realizam tratamentos e cirurgias sem transfusão de sangue. Eles acreditam que os métodos desenvolvidos para atendê-los também estão sendo utilizados para beneficiar outros pacientes. 

De acordo com o site da religião, diversos médicos em todo o mundo usam técnicas de conservação de sangue para realizar cirurgias complexas sem transfusão. “Essas opções terapêuticas são usadas até mesmo em pacientes que não são Testemunhas de Jeová e optam por evitar riscos decorrentes de transfusões, como doenças transmitidas pelo sangue, reações do sistema imunológico e erro humano.” Em algumas cidades, Testemunhas de Jeová formam uma Comissão de Ligações com Hospitais, para discutir os métodos utilizados durante os tratamentos.

Fonte:


domingo, 21 de setembro de 2014


Abandonada pelo seus familiares, uma Ex-Testemunha de Jeová resolveu protestar na porta de um Salão do Reino (Congregação). A cerca de cinco anos, Victoria Summers deixou a organização das Testemunhas de Jeová e desde então seus familiares a tem evitado. A falta de amor é tão grande por parte de seus pais, adeptos dessa denominação religiosa, que nem presenciaram o nascimento e nem mesmo acompanham o crescimento da neta que tem apenas um ano de idade. 

Devido ao isolamento por parte de seus familiares, Victoria Sammers resolveu levar um buquê de flores e um cartaz com uma mensagem a seus pais na entrada da Congregação que frequentam. Nesse protesto ela chama a atenção das pessoas para as práticas preconceituosas e discriminatórias que ex-adeptos sofrem por deixarem de ser Testemunhas de Jeová.

Com certeza, uma maneira de denunciar uma prática que leva a destruição de lares e famílias e que as Testemunhas de Jeová escondem do grande público. Não existe saída honrosa dessa denominação religiosa que insiste com essa política desamorosa e que condena a morte social milhares de pessoas no mundo todo. 

Isso pode ser confirmado pelas próprias publicações das Testemunhas de Jeová que citam um caso parecido aqui no Brasil:
*** Nosso Ministério do Reino 8/02 p. 4 par. 13 Demonstre lealdade cristã quando um parente é desassociado *** Depois de ouvir um discurso numa assembléia de circuito, um irmão e sua irmã carnal se deram conta de que precisavam mudar o modo como tratavam a mãe, que morava em outro lugar e havia sido desassociada seis anos antes. Logo depois da assembléia, o irmão ligou para a mãe e, depois de reafirmar seu amor por ela, explicou que não falaria mais com ela, a não ser que um assunto familiar importante exigisse esse contato. Pouco depois, a mãe começou a assistir às reuniões e, com o tempo, foi readmitida. Também, o marido dela, um descrente, passou a estudar e com o tempo foi batizado.

Como podemos perceber o incentivo ao isolamento de familiares que não são ou já foram Testemunhas de Jeová é uma constante nesse ambiente "religioso". Precisamos denunciar e mostrar esses absurdos para que mais pessoas não entrem nessa forma intolerante de religiosidade.

Texto adaptado.

Agradecimento ao forista "Galo Doido" do Fórum Ex-Testemunhas de Jeová por divulgar tal informação no link abaixo:
http://extestemunhasdejeova.net/forum/viewtopic.php?f=11&t=15901

Fonte:
http://www.bucksherald.co.uk/news/more-news/former-jehovah-s-witness-leaves-memorial-to-family-who-shunned-her-1-6206648


sábado, 20 de setembro de 2014


A história de Ashya King tomou outra reviravolta surpreendente, com seu pai Brett King relatando em entrevista que permitiria que seu filho tomasse uma transfusão de sangue, se sua vida estivesse em jogo.
“Eu sou uma Testemunha de Jeová, mas acima de tudo, eu sou um pai! – e eu faria qualquer coisa por meu filho”, Brett, 51 anos, ao jornal.
“Se uma criança precisa de tratamento é preciso dar-lhes o tratamento. Nós só queremos o melhor para Ashya “.
Esta revelação, que vem da família de King, os quais estão na República Tcheca aguardando a primeira de 30 sessões de terapias com feixe de prótons em Ashya, coloca um dilema intrigante para a Torre de Vigia.
Será que eles punirão Brett pela desassociação dele em seu retorno ao Reino Unido por desafiar os ensinamentos organizacionais, de modo a fazer dele um exemplo? Eles de alguma forma irão coagi-lo a se retratar de sua heresia publicamente? Ou será que eles cederão ao bom senso e usarão esse episódio como um catalisador para a introdução de reformas urgentemente necessárias relacionadas ao uso do sangue em terapias e tratamentos médicos?
Seria bom pensar que a última opção seria o óbvio, mas quando você tem uma organização liderada por um grupo de homens iludidos que se acham porta-vozes de Deus, tudo é possível.
Brett King certamente não é a única Testemunha de Jeová ativa que iria desafiar o Conselho de Administração sobre o assunto, mesmo que ele seja sem dúvida o primeiro a fazê-lo publicamente. Em uma pesquisa global realizada através da internet com Testemunhas de Jeová ativas, 58% disseram que não iriam permitir que seu filho para morrer por falta de uma transfusão de sangue em desobediência às regras impostas pela Torre de Vigia .
O Corpo Governante, sem dúvida, sentem prazer em  pensar que eles estão no controle completo dos pensamentos e decisões de seus seguidores, mesmo em situações de vida ou morte. Felizmente, parece que este não é inteiramente o caso.
Mas essa migalha de conforto, de modo algum nega a urgência da situação. A Torre de Vigia deve ceder ao bom senso na questão do sangue, e parar o sacrifício abominável de todas as vidas humanas mais preciosas no altar da “obediência sectária” a um grupo de homens que se fizeram “Deus”.
Fonte: http://www.extj.com.br/brett-king-desafia-a-torre-de-vigia-se-for-preciso-ashya-tomara-transfusao-de-sangue/

Para entender o caso:

NO REINO UNIDO, PAIS (DA RELIGIÃO TESTEMUNHAS DE JEOVÁ) TIRAM CRIANÇA COM TUMOR NO CÉREBRO DE HOSPITAL SEM AUTORIZAÇÃO E FOGEM!


JUIZ ESPANHOL PROLONGA DETENÇÃO DOS PAIS (TESTEMUNHAS DE JEOVÁ) QUE RETIRARAM FILHO COM TUMOR NO CÉREBRO SEM AUTORIZAÇÃO MÉDICA!




terça-feira, 2 de setembro de 2014


O juiz espanhol que está a avaliar o caso da criança britânica diagnosticada com um tumor retirada do hospital decidiu, esta segunda-feira, prolongar a detenção dos pais por mais 72 horas.

O juiz Ismael Moreno ouviu, durante meia hora, Brett King e Naghemeh King, pais de Ashya, detidos no sábado, em Málaga, no sul de Espanha, depois de terem tirado, contra indicação médica, o filho de cinco anos do hospital em Londres onde se encontrava internado.

Em Madrid, capital espanhola, os pais comunicaram ao juiz a recusa em entregarem-se à justiça britânica, que, na passada quinta-feira, emitiu um mandado de detenção europeu contra o casal, por sequestro e maus tratos.

O juiz espanhol concordou em recusar a extradição e decretou a detenção dos pais por 72 horas, prazo durante o qual deverá decidir se lhes dá ordem de prisão.

No mesmo prazo, o Hospital Materno Infantil de Málaga, onde Ashya está internado, deverá dar a conhecer um relatório médico sobre o estado de saúde da criança.

O menino foi encontrado no sábado, pelas 20.30 horas locais, num hotel de Benajarafe, em Málaga, depois de o recepcionista do estabelecimento ter alertado a polícia.

Fonte:

Para entender o caso:



sábado, 30 de agosto de 2014


A polícia britânica está em busca de um garoto de cinco anos com um tumor cerebral, que foi retirado de um hospital em Southampton por seus pais, contra a recomendação dos médicos.
Suspeita-se que Ashya King, que havia sido submetido a uma cirurgia recentemente, esteja na França com sua família. De acordo com as autoridades, a saúde do menino pode se deteriorar rapidamente. Ele não consegue se mover e nem se comunicar verbalmente.
Na quinta-feira, funcionários do hospital permitiram que Ashya fosse levado da enfermaria onde estava sob a supervisão dos pais, como parte de seu processo de recuperação após a cirurgia.
Foi confirmado que a família é de Testemunhas de Jeová, uma religião que rejeita transfusões de sangue. No entanto, ainda não se sabe se este é o motivo da atitude de seus pais, Brett e Naghemeh King.
O chefe de polícia assistente Chris Shead afirmou que "o tempo de Ashya está se esgotando".
"É vital que o encontremos hoje. Se ele não receber cuidados médicos urgentes, ou receber o tratamento incorreto, sua condição pode oferecer risco de vida", afirmou.
Segundo Shead, Ashya está em uma cadeira de rodas e se alimenta através de um tubo movido por uma bateria. A bateria deve acabar ainda nesta sexta. O Escritório de Informação Pública para Testemunhas de Jeová na Grã-Bretanha diz não ter certeza de que isso motivou a fuga.
"Não temos conhecimento de nenhuma indicação de que a decisão deles foi motivada por convicções religiosas", afirmou a organização em comunicado.
"As Testemunhas de Jeová são encorajadas a buscarem o melhor tratamento médico para si e para seus filhos."
A polícia diz manter "a mente aberta" a respeito do que levou os pais de Ashya a fugirem com ele.
Acredita-se que os pais de Ashya e seu seis irmãos tenham saído da cidade de Portsmouth para Cherbourg, na França, em uma balsa que cruza o Canal da Mancha. A polícia francesa confirmou que já está realizando buscas em hotéis e circuitos de câmeras internas.
Autoridades britânicas também fizeram um apelo nas redes sociais para que o paradeiro da família seja informado. Um dos irmãos de Ashya, Naveed King, falou sobre a doença do garoto em um vídeo postado no YouTube no dia 23 de julho.
"Eu não dormir quase nada, passei a noite em claro preocupado", disse. "Nenhuma criança de cinco anos merece ter um tumor cerebral."
Créditos:
OBS: O título foi mudado para informar que os pais pertencem as Testemunhas de Jeová.


domingo, 17 de agosto de 2014


Embora correta, tem gravíssimas consequências potenciais a decisão desta semana da 6.ª Turma do STJ (Superior Tribunal de Justiça), que isentou de responsabilidade pela morte da menina Juliana Bonfim da Silva, de apenas 13 anos, os pais dela, que alegaram motivos religiosos para se opor à realização de uma transfusão sanguínea salvadora. Para o STJ, a responsabilidade pelo trágico desfecho foi exclusivamente dos médicos.

Testemunhas de Jeová, os pais de Juliana, o militar aposentado Hélio Vitória dos Santos e a dona de casa Ildelir Bonfim de Souza, moradores em São Vicente, litoral de São Paulo, internaram-na no Hospital São José em julho de 1993, durante uma crise causada pela anemia falciforme, doença genética, incurável e com altos índices de mortalidade, que afeta afrodescendentes. A menina tinha os vasos sanguíneos obstruídos e só poderia ser salva mediante a realização de uma transfusão de emergência.

Os médicos que atenderam Juliana explicaram a gravidade da situação e a necessidade da transfusão sanguínea, mas os pais foram irredutíveis. A mãe chegou a dizer que preferia ter a filha morta a vê-la receber a transfusão. A transfusão não foi feita. Fez-se a sua vontade.

As Testemunhas de Jeová baseiam-se na “Bíblia” para recusar o uso e consumo de sangue (humano ou animal). Entendem que esta proibição aparece em muitas passagens bíblicas, das quais as seguintes são apenas exemplos:

Gênesis 9:3-5
Todo animal movente que está vivo pode servir-vos de alimento. Como no caso da vegetação verde, deveras vos dou tudo. Somente a carne com a sua alma — seu sangue — não deveis comer.

Levítico 7:26, 27
E não deveis comer nenhum sangue em qualquer dos lugares em que morardes, quer seja de ave quer de animal. Toda alma que comer qualquer sangue, esta alma terá de ser decepada do seu povo.

Levítico 17:10, 11
Quanto a qualquer homem da casa de Israel ou algum residente forasteiro que reside no vosso meio, que comer qualquer espécie de sangue, eu certamente porei minha face contra a alma que comer o sangue, e deveras o deceparei dentre seu povo. Pois a alma da carne está no sangue, e eu mesmo o pus para vós sobre o altar para fazer expiação pelas vossas almas, porque é o sangue que faz expiação pela alma [nele].

Atos dos Apóstolos 15:19, 20
Por isso, a minha decisão é não afligir a esses das nações, que se voltam para Deus, mas escrever-lhes que se abstenham das coisas poluídas por ídolos, e da fornicação, e do estrangulado, e do sangue.

Para o ministro Sebastião Reis Júnior, que votou na terça-feira (12/08), a oposição dos pais à transfusão não deveria ser levada em consideração pelos médicos, que deveriam ter feito o procedimento --mesmo que contra a vontade da família. Assim, a conduta dos pais não constituiu assassinato, já que não causou a morte da menina.
A decisão no STJ foi comemorada pelo advogado Alberto Zacharias Toron, que defendeu os pais da menina morta: “É um julgamento histórico porque reafirma a liberdade religiosa e a obrigação que os médicos têm com a vida. Os ministros entenderam que a vida é um bem maior, independente da questão religiosa”.
Então, quem é culpado pela morte da menina que poderia ter sido salva mediante a realização da transfusão? Resposta: os médicos, que ao respeitar a vontade dos pais, desrespeitaram o Código de Ética Médica (2009), claríssimo sobre o assunto:
“É vedado ao médico:

“Art. 31. Desrespeitar o direito do paciente ou de seu representante legal de decidir livremente sobre a execução de práticas diagnósticas ou terapêuticas, salvo em caso de iminente risco de morte.

“Art. 32. Deixar de usar todos os meios disponíveis de diagnóstico e tratamento, cientificamente reconhecidos e a seu alcance, em favor do paciente”.

Isso posto, está claro que a decisão do STJ tem menos a ver com a afirmação do direito à liberdade de crença e muito mais a ver com a primazia do direito à vida sobre todos os demais. Assim, a mãe poderia até preferir ter a filha morta a vê-la passando por um processo de transfusão. Mas a Justiça brasileira, não! E o médico também não!
Agora, vamos aos problemas e aos perigos de uma tão incontrastável decisão, e que já aparecem nos fóruns de debates da internet, reunindo ex e atuais membros da religião das Testemunhas de Jeová.

-- Como em todas as religiões, há os sinceros e os “espertinhos”. Os “espertinhos” ficarão tranquilos por saberem que não serão excluídos do grupo religioso se passarem por uma transfusão. Bastará dizer que manifestaram a não-aceitação do procedimento, mas que os médicos fizeram-no contra a sua vontade. “A decisão salvaguarda a hipocrisia”, comentou um debatedor. “Os pais proíbem a transfusão para se eximirem da culpa; os médicos fazem o procedimento para se livrarem de processos e, assim, se condenam diante de Deus no lugar dos pais.”

-- Acontece que, para uso interno no grupo das Testemunhas de Jeová, a proibição da transfusão de sangue prosseguirá. Imagine uma mãe que, tendo preferido ver a filha morta caso a transfusão fosse feita, depois de alguns dias, a menina curada, possa levá-la para casa. Que tipo de tratamento essa mãe dará à filha “decepada de seu povo”? Como lidar com as consequências psicológicas adversas, que certamente acometerão as famílias testemunhas de Jeovás que, levando a sério a proibição, tiverem um de seus membros proscritos pela transfusão contra a vontade?

-- Para piorar, é razoável prever que muitas testemunhas de Jeová “sinceras” prefiram ficar distantes dos hospitais e médicos, por saberem que a transfusão será feita de qualquer jeito. Com isso, doenças que até poderiam ter tratamentos alternativos (sem o concurso da transfusão) ficarão sem quaisquer cuidados, prejudicando os enfermos e até antecipando-lhes a morte. “Isso sem contar os pais que, desesperados pela realização de um procedimento abominado por Deus, podem simplesmente vir a remover o filho do hospital às escondidas para livrá-lo da transfusão”, afirmou outro debatedor.

Todas essas questões apontam para dilemas que não são meramente individuais, mas dizem respeito à saúde pública. De acordo dados do Censo de 2010 do IBGE, existiam 1.393.208 Testemunhas de Jeová no Brasil, uma religião com crescimento consistente e positivo. Em 2013, foram feitos 26.329 batizados no país. No evento de 2013 da Comemoração da Morte de Cristo, a mais importante celebração religiosa do grupo, estiveram presentes 1.681.986 pessoas.

Agora, imagine boa parte dessa gente alijada de procedimentos médicos que salvam vidas e poupam sofrimentos. Que Deus é esse?

Texto retirado do Blog da LAURA CAPRIGLIONE.


sábado, 19 de julho de 2014


Nosso Blog continua com as denúncias de Pedofilia que ocorreram e ocorrem dentro dos muros da Torre de Vigia (Associação jurídica que representa as Testemunhas de Jeová no mundo) e a dor que causam as vítimas que muitas vezes são silenciadas para a preservação da "boa" imagem da Igreja.
É comum entre as Testemunhas de Jeová acharem que não existe casos de Pedofilia na sua Igreja e que somente as outras religiões possuem tais casos extremos. Esse pensamento acontece por incentivo de seus líderes mundias que colocam-se como o único canal de Deus na Terra, ou seja, para as Testemunhas de Jeová sua Igreja é a única correta na face da Terra.
Infelizmente, esse silêncio das lideranças das Testemunhas de Jeová no mundo sobre centenas de vítimas de abusos sexuais dentro de suas Igrejas é considerado tabu e apenas deixa seus adeptos a mercê de outros predadores sexuais. Obviamente não estamos afirmando que existe um incentivo a Pedofilia dentro dessa denominação religiosa, mas a omissão é algo que revolta todas as pessoas que lutam pelo bem estar das crianças no mundo.
O vídeo da reportagem está no Blog de um colega português (link logo abaixo) e o mesmo complementa com a seguinte informação:

"É uma entrevista que expressa bem a dor emocional causada pelos abusos continuados ao longo de anos, dos quais este homem foi vítima em tenra idade...Espero que esta reportagem e entrevista ajude outras vítimas a perder o medo de contar os seus casos e demonstrar que os abusadores não são esquecidos. Nem pelos homens e muito menos pelo Pai Celestial".